No Vaticano, começa julgamento de ex-núncio acusado de abuso de menores

  • Por Agencia EFE
  • 11/07/2015 09h26

Cidade do Vaticano, 11 jul (EFE).- O Tribunal do Vaticano começou neste sábado o julgamento do ex-núncio na República Dominicana, Jozef Wesolowski, acusado de cinco crimes, entre eles os de abuso de menores e posse de material pedopornográfico.

A audiência aconteceu no Escritório Judicial do Tribunal vaticano e não teve a presença do ex-núncio (diplomata do Vaticano), que foi hospitalizado. Por isso, ela durou apenas seis minutos, já que, devido à ausência do réu, o presidente do Tribunal decidiu adiá-la a uma data a ser marcada.

Durante a sessão, o promotor de justiça Gian Piero Milano entregou ao presidente do tribunal o documento que certifica a intenação, e o advogado de defesa, Antonello Blasi, expressou a intenção de seu cliente de assistir ao julgamento.

Posteriormente, o vice-porta-voz da Santa Sé, Ciro Benedettini, afirmou que o estado de saúde do acusado foi notificado ontem à tarde e que, após ser levado ao centro de emergências do Vaticano, Wesolowski foi transferido para um hospital público romano. Lá, ele recebe tratamento intensivo e está sob custódia policial por ter sido, devido às acusações, detido em regime domiciliar por vontade do papa Francisco em setembro do ano passado.

Benedettini preferiu não revelar a doença de Wesolowski “por questões de privacidade”.

A primeira audiência deste julgamento penal em primeira instância começou às 9h32 locais (4h32 de Brasília) com a leitura da acusação, composta pelos cinco crimes.

Alguns deles, por terem sido cometidos até setembro de 2014, estarão regulados pela reforma penal estabelecida pelo papa Francisco – mais severa, mas carente de efeitos retroativos, e por isso os outros serão baseados nas normas antigas.

Os crimes regulados pela reforma penal do pontífice são dois. O primeiro acusa Wesolowski de “possuir e ter conseguido na internet materiais que mostram menores de 18 anos envolvidos em atividades sexuais explícitas, reais ou simuladas, e além disso imagens de órgãos sexuais de menores”. Sobre este crime, foi aplicado o agravante de “posse de ingente quantidade” de material pedopornográfico.

O segundo crime foi o de “ter manifestado uma conduta que ofende os princípios da religião ou da moral cristã” e por ter “acessado repetidamente sites pornográficos” tanto em Roma como na República Dominicana.

Outros três delitos são regulados pelas normas prévias à reforma papal. O primeiro deles é “por ter corrompido mediante atos libidinosos, em um caso com (o diácono dominicano) Francisco Javier Occi Reyes e outros por enquanto desconhecidos, adolescentes de idade presumível entre 13 e 16 anos para ter com eles atos sexuais”.

A segunda acusação é “de ter comprado, recebido, ocultado e possuído em dois computadores que ele usava material pedopornográfico”.

O último é “de ter provocado lesões graves, constituídas como perturbações mentais, aos adolescentes vítimas dos abusos sexuais”.

Wesolowski, que no próximo dia 15 completa 67 anos, nasceu na Polônia e é cidadão vaticano desde 2 de julho de 1980. EFE

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