Novo preço do café importado coloca em risco 20 mil empregos em Porto Rico

  • Por Agencia EFE
  • 04/08/2015 20h56

San Juan, 4 ago (EFE).- O presidente do Setor do Café da Associação de Agricultores de Porto Rico, Edwin Soto, disse nesta terça-feira à Agência Efe que os novos preços estabelecidos pelo Departamento de Assuntos do Consumidor (Daco) para o grão importado colocam em risco 20 mil postos de trabalho no país.

Soto criticou a decisão do governo de estabelecer um preço de compra mais barato para o café importado do que para o produzido em Porto Rico, beneficiando a indústria, mas condenando os agricultores locais, já que os intermediários optarão pelo produto estrangeiro, mais econômico.

O Daco fixou um preço de US$ 379 para a saca do café porto-riquenho (46 quilos) e de US$ 322 para o importado.

“Por isso, estão em perigo 20 mil postos de trabalho. Além disso, será substituído o café local de qualidade por outro de menor valor”, indicou o representante dos produtores de café.

Soto alertou que o produto importado vem de países que não se submetem às exigentes medidas sanitárias para o uso de adubos impostas pelas autoridades federais dos Estados Unidos.

Os cafeicultores exigem que a Daco emita um novo decreto adotando os preços recomendados pelo Departamento de Agricultura e protejam todo o setor, não só uma única empresa que praticamente detém o monopólio no país.

Eles pedem, além disso, que todo café vendido em Porto Rico que contenha produto estrangeiro seja identificado na embalagem.

Os produtores disseram que a medida da Daco é equivocada e condena o café porto-riquenho ao desaparecimento. Também beneficia uma única empresa, que controla 90% do produto no país.

Soto indicou que a ordem da Daco tem evidentes reflexos de ilegalidade e de desperdício de fundos públicos. Além disso, afirmou que condena o agricultor à pobreza e à injustiça social ao não atender a exigência de pagamento de salário mínimo.

Alguns empresários também concordam com as reclamações. José González Freyre acusou o governo de estar “subsidiando” o monopólio da Puerto Rico Coffee Roaters, companhia que controla 90% do mercado.

A Associação de Cafeicultores de Porto Rico afirma que a medida afetará o mercado. São mais de 4 mil produtores de café no país, enquanto outros 20 mil trabalhadores colhem o grão, trabalho que é realizado entre agosto e dezembro.

A safra de café em Porto Rico foi de 6 mil toneladas, enquanto o consumo foi de 28 mil toneladas. Por isso, o país teve que recorrer à importação para satisfazer quase 80% da demanda. EFE

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