“O medo é que se instale uma favela ali”, diz moradora de Morumbi vizinha de invasão do MTST

  • Por Renata Perobelli / Thiago Navarro/ Jovem Pan
  • 06/09/2014 12h40
SAO PAULO, SP, 06-09-2014: SEM-TETO/SP - Cerca de 900 integrantes de um grupo de sem-teto, das regiões de Paraisópolis e Jardim Colombo na zona oeste de São Paulo (SP), invadiu, por volta das 23h desta sexta-feira (5), um terreno de 30 mil m², próximo ao cemitério Gethsemani, na região da Vila Sônia, também na zona oeste. A ação foi coordenada pelo MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto), em conjunto com moradores de comunidades locais. (Foto: Dário Oliveira/Código19/Folhapress)Invasão do MTST próxima a terreno do Morumbi

Jardim Colombo é um bairro vizinho ao Morumbi, marcado por contrastante desigualdade social em seu urbanismo, que mescla comunidades pobres e condomínios de luxo.

Moradores de alguns destes prédios da região puderam testemunhar de camarote a invasão de grupo Sem-teto em terreno próximo ao cemitério Gethsemani, ocorrida na madrugada deste sábado.

Maria Inês Melo chegou a temer a invasão do condomínio Paulistano, onde vive, mas agora a preocupação é outra: “O medo é que se instale uma favela ali”, disse em entrevista a Renata Perobelli. O grande muro do Paulistano, que conta com sete torres, faz divisa com o local ocupado.

Ao Portal Jovem Pan, Sandra Crivello, cirurgiã-dentista que mora em outro edifício com vista para a ocupação (O Torres do Morumbi), conta que às 22h30 começou a ouvir um barulho. “Parecia que ia ter uma festona aqui em baixo.”

Não era festa, mas os invasores do MTST chegavam ao terreno inclusive cantando paródia de “Trem das Onze”, de Adoniran Barbosa, entre outros “hinos de guerra”. Sandra viu da janela do apartamento “várias lanternas subindo o morro”.

Assustada, ligou para a Subprefeitura do Butantã, cuja atendente respondeu que apenas acompanhavam o movimento. Então, tentou o 89º Distrito Policial, do qual ouviu que nada poderia ser feito. “Então quem que pode tomar atitude, o civil?”, questiona Sandra, dizendo-se “indignada”.

Por meio de redes sociais, como o Twitter, moradores do condomínio de Inês conversavam sobre a invasão, enquanto a zeladora alertava: “Não façam nada, não façam nada”.

Maria Inês Melo percebeu que a ação foi “organizada e muito bem orquestrada”. “Chegavam ônibus e carros, que já tinham todos os kits para montar o barraco”, relata.

Madeiras e bambus são utilizados para demarcar o terreno. Cerca de 200 pequenos barracos já foram instalados no local. Os líderes do movimento dizem que 2.000 famílias estarão alojadas até este domingo. Sob o olhar e preocupação dos moradores de Jardim Colombo.

Assista abaixo o vídeo realizado por Kátia Fernandes, vizinha de Sandra Crivello:

 

Colaboração: Izilda Alves