O novo rei embaixador

  • Por Agencia EFE
  • 12/06/2014 16h12

Belém Anca López.

Madri, 12 jun (EFE).- A diplomacia espanhola volta seus olhares a Felipe VI, consciente de que a chegada de um novo rei dará um impulso a uma política externa pela qual seu pai, Juan Carlos I, zelou especialmente e com a qual contribuiu com dedicação.

A Casa Real espanhola mantém vínculos com outras monarquias, familiares no caso das europeias e de amizade com as do resto do mundo, especialmente com as do Marrocos, da Jordânia e da Arábia Saudita, mas também com o restante de tronos árabes e com os imperadores do Japão.

A atividade exterior do novo monarca será, portanto, um dos eixos da diplomacia e, de fato, Felipe VI e sua esposa Letizia dedicarão tempo nestes primeiros meses a fazer várias viagens de apresentação como novos reis dentro da Espanha e por outros países, como França, Marrocos e Portugal.

Desde que Felipe de Bourbon se casou com Letizia Ortiz em 22 de maio de 2004, os príncipes das Astúrias desenvolveram uma intensa agenda de viagens ao exterior, que iniciaram em 28 de junho daquele ano com a visita ao papa no Vaticano, após o retorno de sua lua de mel.

O México foi, em julho de 2004, sua primeira visita oficial fora da Europa desde seu casamento e El Salvador foi o mais recente, para assistir à posse do novo presidente do país, Salvador Sánchez Cerén.

De 2004 até a atualidade, o príncipe foi travando em suas viagens uma série de contatos que lhe serão especialmente úteis na nova etapa que se abre agora como chefe de Estado.

Um de seus maiores desafios será o papel de “primeiro embaixador” da Espanha que lhe corresponde agora desempenhar, dando continuidade às funções que seu pai realizou a respeito e que cumpriu até o último momento, com suas viagens dos últimos dois meses a cinco países do Golfo Pérsico.

Durante seus 39 anos de reinado, Juan Carlos I foi a imagem da Espanha no mundo, com uma constante presença internacional que representou um forte impulso para as empresas espanholas e foi expoente da política externa de todos os governos da democracia.

Como principal embaixador da Espanha, o rei viajou por todo o mundo e cumpriu um papel de grande alcance político e econômico. Esse papel agora será do futuro Felipe VI.

A América Latina será um dos grandes eixos da diplomacia do novo rei, que, como príncipe, esteve presente nas posses de presidentes latino-americanos desde meados dos anos 90 e suas viagens ao continente americano e à Europa passaram de 200.

O rei Juan Carlos também concedeu especial importância ao mundo árabe com uma estreita relação com as máxima autoridades desses países.

Um porta-voz da Casa do Rei explicou recentemente que os destinos das viagens dos novos reis serão decididos após a proclamação do novo monarca, embora “fizesse sentido” que entre eles estivessem Marrocos, França e Portugal.

A expectativa é que os novos reis estejam no dia 4 de agosto aos atos comemorativos convocados na cidade belga de Liège para comemorar o centenário da Primeira Guerra Mundial.

Ainda será decidido se a infanta Leonor, primogênita de Felipe de Bourbon, acompanhará seus pais em alguma das viagens que assumirá a condição de princesa das Astúrias, assim como os outros títulos próprios do herdeiro da Coroa espanhola. EFE