Obama chega a Cuba para 1ª visita de um presidente dos EUA desde 1928

  • Por Agência Estado e EFE
  • 20/03/2016 19h36

Obama quer inaugurar uma nova era de relações entre EUA e Cuba após décadas de hostilidade entre os países

Obama quer inaugurar uma nova era de relações entre EUA e Cuba após décadas de hostilidade entre os países

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, desembarcou neste domingo em Havana, capital de Cuba, para uma visita histórica, marcada pelo simbolismo e pelas fortes expectativas de uma nova era de relações entre Estados Unidos e Cuba após décadas de hostilidade entre os dois países.

A aeronave Força Aérea 1 tocou o solo do aeroporto internacional José Martí no fim da tarde, depois de um voo de três horas desde Washington. O presidente saiu do avião acompanhado pela primeira-dama, Michelle Obama, pelas filhas Sasha e Malia, e pela sogra, Marian Robinson. O plano é ficar dois dias e meio em Havana. Obama deixa Cuba na terça-feira à tarde para uma visita à Argentina.

Pouco depois de aterissar em Havana, o presidente cumprimentou os cubanos com uma simpática mensagem em sua conta oficial no Twitter.

Ele começou a postagem com “Que bolá Cuba?”, uma expressão coloquial da ilha, que poderia ser traduzida como um “E aí, Cuba?”. “Emocionado de estar aqui, ansioso para me reunir e escutar diretamente o povo cubano”, continuava a mensagem, já em inglês, publicada na conta oficial do presidente dos Estados Unidos.

O presidente Obama abriu sua visita a Cuba dizendo que a passagem pela ilha é uma “oportunidade histórica” e demonstrando disposição para forjar laços com o ex-adversário. “É maravilhoso estar aqui”, afirmou Obama.

Empunhando um guarda-chuva em uma tarde chuvosa em Havana, o presidente dos EUA desceu do avião Força Aérea 1 e foi recebido por altos funcionários cubanos, mas não por Raúl Castro. O líder cubano frequentemente recepciona importantes figuras mundiais na chegada ao Aeroporto Internacional José Martí, mas não o fez desta vez. Em vez disso, Castro planeja cumprimentar Obama na segunda-feira no Palácio da Revolução.

A primeira parada de Obama foi um hotel de Havana, onde cumprimentou funcionários da Embaixada dos EUA e suas famílias e salientou a natureza histórica de sua visita. “Esta é uma visita histórica, e é uma oportunidade histórica de interagir com o povo cubano”, disse Obama, junto da primeira-dama dos EUA, Michelle Obama, e das filhas, Sasha e Malia. Dezenas de parlamentares e líderes empresariais dos EUA chegaram à ilha para acompanhar a visita de Obama.

O presidente dos EUA destacou o trabalho de três cubanos na missão diplomática norte-americana no país por décadas: um guarda, um motorista e um trabalhador da seção de vistos. Ele disse que os três uniam os povos cubano e norte-americano. Antes de os EUA reabrirem sua embaixada, o país tinha apenas seções de interesses comerciais em Havana. Ele agradeceu ainda as pessoas que trouxeram os filhos para conhecê-lo, dizendo esperar que, quando eles forem adultos, “pensem que é natural para um presidente dos EUA visitar Cuba”. Obama e sua família seguiriam para uma visita por Havana Velha a pé, incluindo a Catedral de Havana. 

A ausência de Castro no desembarque de Obama despertou críticas do pré-candidato à Presidência dos EUA pelo Partido Republicano Donald Trump. “Uau, o presidente Obama acaba de desembarcar em Cuba, um grande acontecimento, e Raúl Castro nem estava lá para cumprimentá-lo. Ele cumprimentou o Papa e outros. Nenhum respeito”, disse Trump, em sua conta no Twitter.

A viagem de Obama a Cuba – a primeira de um presidente norte-americano no cargo desde Calvin Coolidge em 1928 – ocorre 15 meses depois que ele e o presidente de Cuba, Raúl Castro, anunciaram um acordo para retomar relações diplomáticas.

A sua primeira parada será um encontro casual com funcionários da embaixada dos EUA em Havana, seguido de um passeio a pé por Havana Velha. Durante o passeio, Obama planeja visitar a catedral católica romana da cidade. Ele será saudado pelo cardeal Jaime Ortega, que, juntamente com o Papa Francisco, ajudou a facilitar a distensão entre os EUA e Cuba, que levou à histórica visita de Obama.

Obama e Castro devem se reunir na segunda-feira para uma série de eventos oficiais, incluindo um jantar de estado e declarações para a mídia. Obama ficará em Havana até terça-feira à tarde, quando voa para a Argentina. Fonte: Dow Jones Newswires e Associated Press.