Obama pede à Alemanha “o benefício da dúvida” sobre espionagem
Washington, 9 fev (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu nesta segunda-feira que a Alemanha “não espere sempre o pior” e conceda a seu governo “o benefício da dúvida” em relação à espionagem de suas agências de inteligência, enquanto a chanceler alemã, Angela Merkel, se mostrou menos crítica a esse respeito que no passado.
Em entrevista coletiva conjunta na Casa Branca, os dois líderes falaram sobre as tensões latentes na relação bilateral pelas revelações em 2013 do ex-analista Edward Snowden sobre a espionagem da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA), que supostamente monitorou conversas pessoais de Merkel.
“Não há dúvida que as revelações de Snowden prejudicaram as impressões que os alemães têm com relação ao governo dos EUA e nossa cooperação de inteligência”, reconheceu Obama depois de se reunir com Merkel.
“(Mas) eu gostaria que o povo alemão nos conceda o benefício da dúvida, dada nossa história; (e) ao invés de esperar o pior, aceite que fomos constantemente seus aliados sólidos e que compartilhamos uma série de valores comuns”, acrescentou o presidente americano.
Obama disse admitir “a sensibilidade” especial da Alemanha sobre este assunto, mas pediu a esse país “reconhecer que os Estados Unidos estiveram sempre à frente da promoção das liberdades civis”.
O presidente americano lembrou que seu governo impôs reformas “sem precedentes” à atividade de espionagem americana, incluído o anúncio, na semana passada, de novos limites ao uso da informação sobre cidadãos locais e estrangeiros que é recopilada pela NSA.
No entanto, afirmou que há “áreas complicadas” onde é necessário manter as atribuições das agências de inteligência, por exemplo “para seguir a pista de uma rede que esteja planejando realizar ataques em Nova York, Berlim ou Paris, e que se comunique fundamentalmente no ciberespaço”.
Merkel, por sua parte, se mostrou menos irritada em relação ao assunto que em outras ocasiões, e destacou o potencial do “ciberdiálogo” bilateral que Obama e ela decidiram abrir no ano passado para resolver suas diferenças.
“Acho que ainda há avaliações diferentes (nos EUA e na Alemanha) sobre temas particulares, mas se olhamos às dimensões da ameaça terrorista (que enfrentamos), somos mais que conscientes que temos que trabalhar juntos muito de perto”, comentou Merkel.
“Como chanceler alemã, quero deixar muito claro que as instituições dos Estados Unidos nos proporcionaram e seguem nos proporcionando muita informação muito significativa, muito importante que é também uma parte integral de nossa segurança, e não queremos abrir mão disso”, acrescentou.
A revelação em 2013 que um telefone celular de Merkel foi grampeado pela NSA entre 2002 e 2012 irritou extremamente o governo alemão, que chegou a ameaçar aos EUA com a expulsão de diplomatas e mais tarde tentou sem sucesso convencer Washington de assinar um tratado de não espionagem mútuo. EFE
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