Obama quer reduzir tensão e fortalecer comércio com Brasil em visita de Dilma

  • Por Agencia EFE
  • 28/06/2015 13h24

Lucía Leal.

Washington, 28 jun (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, receberá nesta terça-feira a presidente Dilma Rousseff, uma visita adiada por quase dois anos na qual a Casa Branca espera acabar com as tensões provocadas pelo escândalo da espionagem americana e potencializar o comércio bilateral com acordos concretos.

Obama receberá Dilma com um jantar nesta segunda-feira na Casa Branca e para uma reunião de trabalho na terça-feira, na qual é esperada uma agenda que aborde o comércio, a mudança climática, a defesa, a educação e atualidades regionais e globais.

A visita estava inicialmente programada para outubro de 2013, mas Dilma a cancelou após as revelações do ex-analista da Agência Nacional de Segurança (NSA), Edward Snowden, de que ela tinha sido vítima da espionagem americana.

A crise de confiança que fragilizou a relação bilateral foi sendo superada paulatinamente, especialmente depois da reunião entre Obama e Dilma durante a Cúpula das Américas em abril no Panamá, onde tiveram uma conversa “franca” a respeito, segundo a Casa Branca.

“Acho que esta visita verdadeiramente indica até que ponto viramos a página e estamos avançando”, disse esta semana o assessor adjunto de Segurança Nacional da Casa Branca, Ben Rhodes, em entrevista coletiva telefônica.

Nesse sentido, não se espera durante um pedido de desculpas oficial de Obama pela espionagem do passado, prática que não é o hábito da Casa Branca e que entorpeceria o claro desejo de substituir as tensões por avanços concretos na relação.

“Achamos que existe potencial de levar nossa relação a um novo nível em muitas áreas”, assegurou Rhodes.

A expectativa é que os dois líderes anunciem acordos concretos especialmente na área de comércio, um tema que, segundo os especialistas, interessa a Dilma especialmente para reativar a economia do Brasil e superar o escândalo de corrupção na Petrobras.

Os Estados Unidos, por sua vez, querem satisfazer o “interesse substancial da comunidade empresarial americana no Brasil” de melhorar as condições de comércio e investimento, segundo Rhodes.

Atualmente, Estados Unidos e Brasil “trocam US$ 100 bilhões anuais em comércio, o dobro que há dez anos”, e Washington acredita que “podem dobrar de novo” essa relação comercial “na próxima década”, afirmou, Mark Feierstein.

“Nesta visita serão dados passos que nos levarão nessa direção”, acrescentou o diretor para a América Latina no Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca.

Por outra lado, Obama quer conversar com Dilma sobre mudança climática, já que o Brasil, ao contrário dos EUA, ainda não entregou seu compromisso formal de reduzir as emissões de carbono a partir de 2020, passo prévio à cúpula sobre clima da ONU que acontecerá em dezembro em Paris.

O vice-presidente dos EUA, Joe Biden, deixou clara a importância de chegar a um “acordo sólido” em Paris durante um telefonema à Dilma na última quinta-feira.

“O mundo presta muita atenção às reuniões entre grandes economias no contexto das negociações de Paris, portanto achamos que um forte sinal nesta reunião poderia dar um impulso adicional ao processo”, assegurou Rhodes.

Não é provável que Dilma anuncie o compromisso do Brasil na Casa Branca, mas “dará algumas indicações sobre para onde (seu país) se dirige”, previram Timmons Roberts e Guy Edwards, dois especialistas do centro de estudos Brookings, em artigo publicado no site dessa instituição.

Aos Estados Unidos também interessa discutir sobre como aumentar as viagens nos dois sentidos, embora segundo Feierstein, farão falta mais encontros para poder anunciar a entrada do Brasil no programa de isenção de vistos do Departamento de Estado.

Quanto à política internacional, a expectativa é que Obama atualize Dilma sobre o avanço do processo de normalização de relações entre EUA e Cuba.

Também falarão sobre a Venezuela, porque os Estados Unidos “apoiaram os esforços do Brasil e de outros países do continente para sustentar a estabilidade e a prosperidade” no país para que “responda à vontade e às aspirações do povo venezuelano”, nas palavras de Rhodes.

Em geral, Obama quer deixar claro que a aliança entre EUA e Brasil “tem que ser um pilar” da relação americana com toda a América Latina, porque quando ambos trabalham bem juntos, “o resto do continente também o faz”, concluiu Rhodes. EFE