Obama tem desafio de viabilizar agenda com Congresso mais hostil do que nunca

  • Por Agencia EFE
  • 05/11/2014 19h01
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Miriam Burgués.

Washington, 5 nov (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, tem a partir de agora o difícil desafio de materializar sua agenda progressista em seus dois últimos anos de mandato, diante de um Congresso hostil às suas políticas e mais republicano desde que chegou à Casa Branca em 2009.

Obama está “ansioso para voltar a trabalhar” após as eleições legislativas de terça-feira e não hesitará em ser “agressivo” para tentar deixar um legado substancial na metade final de seu segundo mandato, anteciparam sob anonimato fontes da Casa Branca.

A Casa Branca insistiu que esta eleição não era um referendo sobre Obama, que está com a popularidade no ponto mais baixo, mas certamente muitos dos republicanos venceram baseando suas campanhas em ataques à gestão e às políticas do presidente.

Os republicanos só precisavam conseguir seis cadeiras dos democratas para controlar o Senado, mas somaram sete e o total pode chegar a dez se ganharem no Alasca e na Virgínia, que ainda apuram os votos, e no segundo turno na Louisiana em dezembro.

Na Câmara dos Representantes, os conservadores ampliaram sua influência. Têm até o momento 243 cadeiras e caminham para se transformar na maioria republicana mais forte desde a presidência do democrata Harry Truman há quase sete décadas (1945-1953).

Também fez estragos a “maré vermelha”, cor dos republicanos, nas eleições ao governo de 36 estados do país, com vitórias inesperadas em redutos tradicionalmente democratas como Maryland, Massachusetts e Illinois.

É certo que, como admitiu o próprio Obama horas antes do fechamento das urnas, o fato de muitas das cadeiras mais disputadas do Senado que se renovavam estarem em estados de tendência conservadora não favoreceu aos democratas.

Além disso, o diagnóstico dos primeiros casos de ebola nos Estados Unidos e o início da campanha militar contra o grupo jihadista Estado Islâmico (EI) ocorreram em plena campanha eleitoral se tornou para muitos republicanos a arma perfeita contra Obama.

Mas também Obama tem sua parte de responsabilidade porque, ao contrário de quando era candidato, foi difícil enquanto presidente se “conectar” e convencer os eleitores, como ele mesmo admitiu.

Alguns analistas questionam hoje se a postura discreta que manteve durante a campanha foi uma boa ideia.

As pesquisas de boca de urna divulgadas ontem deixaram claro que a principal preocupação dos eleitores continua sendo a situação da economia.

E, apesar dos indicadores refletirem mês a mês que a recuperação segue por um bom caminho, os cidadãos não sentem os benefícios desses bons dados macroeconômicos no dia a dia, o que motivou em parte o voto de crítica a Obama e ao Partido Democrata em geral.

Desde janeiro Obama tomou várias medidas executivas, que não exigem a aprovação do Congresso, centradas exatamente em fortalecer a economia, mas as de maior impacto e mais polêmicas são as de reforma do sistema de imigração, que o presidente prometeu anunciar antes do fim do ano.

Se uma ação executiva de Obama em imigração for combinada a uma decisão de ignorar as bases mais conservadoras, como o novo líder do Senado, o republicano Mitch McConnell, “os americanos podem esperar dois anos mais de confronto e paralisia”, advertiu hoje William Galston, analista do Instituto Brookings.

Mas se Obama e McConnell estiverem dispostos a se concentrar “nas áreas de possível cooperação bipartidária, o tom em Washington poderia mudar para melhor”, ponderou Galston.

A “significativa” vitória republicana de ontem também cria “mais responsabilidade” para esse partido, que se “quiser demonstrar antes de 2016 que é melhor governando que os democratas” deve fazê-lo agora, afirmou hoje o “Washington Post” em editorial.

Na mesma linha esteve o “New York Times”, que pediu que os republicanos expliquem qual é seu programa, após uma campanha baseada na “negatividade” e no alegado “fracasso” das políticas de Obama. EFE

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