Obras do monotrilho contestadas pelo TCE serão retomadas “até o final do mês”, diz secretário

  • Por Jovem Pan
  • 11/08/2016 13h37

Operários trabalham nas obras do monotrilho da Linha 17-Ouro do MetrôOperários trabalham nas obras do monotrilho da Linha 17-Ouro do Metrô - AE

Em entrevista exclusiva à Jovem Pan, o secretário de Transportes Metropolitanos de São Paulo respondeu a parte dos 64 questionamentos do TCE (Tribunal de Contas do Estado), que contesta criticamente atrasos e aumento de custos da linha 17-Ouro, o monotrilho, que deve ligar o aeroporto de Congonhas ao Morumbi e foi primeiramente pensado para estar pronto em 2014, na Copa do Mundo.

O secretário Clodoaldo Pelissioni reafirmou que os atrasos se deram porque as três das quatro licitações contratadas tiveram obras abandonadas, o que provocou a rescisão unilateral do governo no começo deste ano. Ele garantiu que todos os aditamentos que encareceram a obra para mais que o dobro do previsto no original (de R$ 1,4 bilhão para R$ 3,1 bilhões) foram legais.

“Nós não aditamos nenhum contrato acima do permitido em lei, sempre justificando”, garantiu. “O empreendimento vai ficar em torno de R$ 300 milhões a R$ 350 milhões o quilômetro do monotrilho, o que é internacionalmente aceito, comparado com outros monotrilhos existentes no mundo”, disse o secretário.

Retomada

Pelissioni informou ainda em primeira mão que o governo estadual decidiu nesta quinta (11) que irá contratar o terceiro colocado na licitação para as obras do pátio dos trens da linha 17 que fica sobre o piscinão.

“Você veja como é difícil: rescindi o contrato, fui contratar a segunda colocada. Quando eu ia assinar o contrato, a CGU decretou a empresa inidônea”, relata Pelissioni. Agora, com a terceira colocada, “até o final do mês as obras do pátio em cima do piscinão serão retomadas”.

O contrato principal do monotrilho (que inclui vigas, pilares, trens e o sistema) também deve ser retomado “até o final do mês”, diz o secretário. Empresas que tiveram que pagar multa após a rescisão mandaram carta para o metrô, “a despeito da decisão judicial”, se dispondo a retomar o contrato.

Ciclovia

Além do monotrilho, o TCE questiona o preço da construição da ciclovia que acompanha trecho da nova linha de metrô. Os 8,5 km já construídos tiveram preço seis vezes maior que as ciclovias construídas por Fernando Haddad na administração municipal, aponta o tribunal.

“Nunca escondemos da população ou da imprensa os problemas da linha-17”, disse Pelissioni (Diogo Moreira/Divulgação Governo do Estado)

Pelissioni defende que “a comparação não deve ser feita porque são coisas distintas”. O secretário lembrou que a ciclovia associada a trecho da linha 17 ocorreu após mobilização de cicloativistas quando o governo iria interromper uma ciclovia associada à CPTM já existente no local.

Uma das justificativas para o aparente alto preço da obra é o piso mais espesso de onde foi realocada a faixa exclusiva a bicicletas. “Sobre a ciclovia, que é uma estrada de serviços, passam caminhões e carros, então o pavimento que a gente teve que colocar lá é muito mais espesso e largo que o de uma ciclovia comum”, explica. A estrada é usada por órgãos como a Eletropaulo, a Sabesp e a própria CPTM.

Além disso, diz Pelissioni, foram construídas três escadas entre as pontes João Dias e Cidade Jardim, com apoio para deslizar as bicicletas no corrimão.

Outro fator que teria encarecido a obra foi a determinação, no acordo com o MP e cicloativistas, de contratar serviço de transporte de bicicletas e ciclistas por van durante os 100 dias em que a ciclovia foi montada. “Não é uma ciclovia simples”, diz Pelissioni.

“Vamos responder a todos questionamentos com muita tranquilidade e muito conteúdo para que tudo possa ser esclarecido ao conselheiro Roque Citadini (do TCE, que assina os questionamentos)”, afirma o secretário estadual.

Entrevista realizada pelo repórter JP Thiago Uberreich