OCDE pede ao G20 que fomente crescimento para mundo finalmente superar crise

  • Por Agencia EFE
  • 09/02/2015 14h50

Ilya U. Topper e Jordi Kuhs.

Istambul, 9 fev (EFE).- A OCDE pediu ao G20 nesta segunda-feira que execute mais reformas estruturais para impulsionar o crescimento para que os efeitos da crise financeira de 2008 sejam superados, pouco antes do início a cúpula de ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais do grupo em Istambul.

“Corremos perigo de nos movimentarmos rumo a um (período) de longa duração com pouco ou quase nenhum crescimento”, alertou o secretário-geral da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), Ángel Gurría, que reúne os 34 países mais desenvolvidos do mundo.

Segundo ele, “existe uma necessidade urgente de focar em colocar em prática a estratégia de crescimento do G20”, estipulada em 2014.

Na reunião do G20 realizada na Austrália em novembro, os líderes dos 20 principais países desenvolvidos e emergentes pactuaram uma estratégia para aumentar o Produto Interno Bruto (PIB) global em 2% até 2018.

A cúpula financeira de Istambul, que começa hoje com um jantar de trabalho dos responsáveis de Finanças e dos bancos centrais, estará centrada no fomento do crescimento econômico e na luta contra a sonegação fiscal.

Mas a grande incógnita é se a reunião abordará também as propostas do novo governo da Grécia de pôr fim à austeridade e de renegociar sua dívida pública.

Gurría disse hoje à imprensa que a OCDE pode contribuir com o programa de resgate grego. Ele viajará amanhã a Atenas para se reunir com representantes do governo.

Istambul recebe entre hoje e amanhã todos os pesos pesados das finanças internacionais, como o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi; a diretora-executiva do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, e a presidente do Federal Reserve dos Estados Unidos, Janet Yellen.

Também estarão os ministros de Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble; da França, Michel Sapin; da Espanha, Luis de Guindos, e do Brasil, Joaquim Levy, entre outros.

No relatório “Apostando pelo Crescimento”, apresentado hoje por Gurría, os economistas da OCDE advertiram que a crise e a frágil recuperação minguaram o potencial de crescimento nos países desenvolvidos e também dos emergentes.

“A crise também aumentou a angústia social batendo fortemente nos lares de baixa renda, a população jovem sofre sua pior perda de receita e enfrentam um crescente risco de cair na pobreza”, reconheceu a OCDE.

Em longo prazo os grandes desafios são o envelhecimento da população, a desigualdade de renda e o impacto da degradação ambiental sobre a saúde e o crescimento econômico, acrescentou o estudo, de 340 páginas.

Nos últimos dois anos, assinalou a OCDE, a velocidade das reformas estruturais diminuiu na maioria dos países desenvolvidos, após um período de notável aceleração, por causa da crise financeira de 2008.

A OCDE calcula que as reformas iniciadas desde 2005 contribuíram para aumentar o PIB per capita potencial de seus países-membros em 5% em média.

Mais reformas poderiam aumentar o PIB per capita até 10% em média, o que equivale a um ganho médio de US$ 3 mil por pessoa.

“(Mas) o ritmo de reformas diminuiu nos dois últimos anos, o que não é muito encorajador”, afirmou Gurría.

De fato, a velocidade das reformas ainda é elevada, embora já tenha diminuído em Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha, e sobe no Japão, indicou o relatório.

Ao mesmo tempo, nos principais países emergentes o ritmo das reformas aumentou, com o objetivo de reduzir sua vulnerabilidade diante da volatilidade dos preços das matérias-primas.

“Os países emergentes resistiram melhor à crise, embora nos dois últimos anos seu crescimento tenha sido menos impressionante”, disse Gurría, acompanhado pelo vice-primeiro-ministro econômico turco, Ali Babacan.

Ele destacou que todos sabem quais são as receitas e reformas a seguir, mas o problema é “ter coragem e poder político para colocá-las em andamento”.

Sobre o projeto negociado pela OCDE com o G20 para intensificar a luta contra a sonegação fiscal, Gurría falou hoje de um “evento revolucionário que porá freio à evasão de impostos por grandes empresas multinacionais.

“É um objetivo muito ambicioso. Esperamos alcançá-lo nos próximos anos. O G20 é o motor crucial para movimentá-lo”, destacou.

Mais de cem países trabalham em um instrumento conjunto para prevenir a dupla taxação fiscal e, ao mesmo tempo, evitar que grandes consórcios movimentem lucros e perdas de um país para outro e ao final não paguem impostos em nenhum. EFE

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