Oklahoma investigará execução que reabriu debate sobre pena de morte nos EUA

  • Por Agencia EFE
  • 04/05/2014 22h58

Adrià Calatayud

Washington, 30 abr (EFE).- O estado de Oklahoma (EUA) investigará as complicações que ocorreram na terça-feira durante a execução de um preso que morreu de ataque cardíaco pouco mais de 40 minutos depois de receber uma injeção letal e que reabriu um debate nacional sobre a pena de morte.

A de Clayton Lockett, de 38 anos, foi a última de uma série de execuções nas quais a aplicação da pena de morte foi mais prolongada e agônica para os presos do que o esperado, o que criou polêmica pelo uso de novas injeções letais (as convencionais estão escassas) e pelo secretismo com que os estados as compram.

Lockett, condenado pelo assassinato de uma jovem de 19 anos em 1999, se retorceu e arquejou quando foi administrada a injeção, que continha uma combinação de fármacos nunca usada em Oklahoma, embora tinha sido usada em outros estados, antes de morrer de um ataque do coração.

A governadora de Oklahoma, a republicana Mary Fallin, pediu hoje que seja averiguado o ocorrido e adiou em 14 dias outra execução prevista para esta terça-feira, a de Charles Warner, de 46 anos.

“Pedi ao Departamento Correcional que realize uma investigação completa dos procedimentos de execuções de Oklahoma para determinar o que aconteceu durante a execução de Lockett”, afirmou Fallin em comunicado.

A controvérsia que levantou esta execução aumentou pelo interesse que o caso tinha suscitado previamente.

Até na semana passada, os advogados de Lockett e Warner, que se encontra no corredor da morte pelo estupro e assassinato de uma menina de 11 meses em 1997, tentaram suspender suas execuções.

Após conhecer que outro réu de Oklahoma gritou que todo o corpo “queimava” durante sua execução em janeiro, Lockett e Warner temeram que suas execuções descumprissem o mandato constitucional que proíbe os castigos cruéis e pediram informação sobre a procedência dos fármacos.

Assim, seus advogados tentaram buscar um cancelamento e denunciaram o secretismo do estado sobre como obtinha os remédios da injeção letal, que o governo de Oklahoma justifica para defender as farmacêuticas das pressões dos ativistas.

Mas a Corte Suprema de Oklahoma estabeleceu que a resolução de suas penas a morte havia de seguir adiante.

Foram programadas então a execução de ambos para terça-feira, o que ia ser a primeira execução dupla desde 2000 nos Estados Unidos e, no estado de Oklahoma, desde 1937.

Embora Warner não tenha sido executado, a forma como morreu Lockett, que teve uma veia explodida e seguiu vivo entre suspiros e convulsões por mais de 40 minutos após receber a injeção -quando não costuma durar mais de cinco- , deu argumentos renovados aos oponentes da pena capital.

“Há sérias preocupações sobre a injeção letal com a revelação cada vez mais de incompetentes execuções realizadas com fármacos questionáveis de fontes questionáveis”, assinalou o diretor legal da União Americana de Liberdades Civis em Oklahoma, Brady Henderson, em declarações enviadas à Agência Efe.

A Coalizão Nacional pela Abolição da Pena de Morte dos EUA lamentou em comunicado que este caso “mine a confiança no sistema judiciário”.

“O governo de Oklahoma sacrificou a transparência e a responsabilidade pública por seu próprio interesse e as consequências foram grotescas e evitáveis”, acrescentou.

A Casa Branca também se pronunciou sobre esta execução e disse que “não alcançou” os padrões humanos.

“Inclusive quando a pena de morte é justificada, deve ser realizada humanamente. E penso que todo mundo reconheceria que este caso não alcançou esse padrão”, assinalou o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, em sua entrevista coletiva diária.

A maioria dos 32 estados onde está em vigor a pena capital no país tem problemas para conseguir os componentes com os quais são fabricadas as injeções letais convencionais.

Perante este cenário, alguns estão provando fórmulas alternativas de injeções e outros colocaram o uso da cadeira elétrica como obrigatório caso não se encontrem remédios para injeções letais. EFE