ONU afirma que 56 milhões de pessoas passam fome em 17 países em conflito

  • Por EFE
  • 29/07/2016 12h00
Q1 QAMESHLI (SIRIA), 27/07/2016.- Fotografía facilitada por la Agencia Oficial de Noticias siria, SANA, que muestra a varias personas en el lugar donde explosionó una bomba en Qameshli, Siria, hoy, 27 de julio de 2016. Al menos 44 personas murieron hoy por la explosión de un vehículo cargado con explosivos en la ciudad de Qameshli, de mayoría kurda y próxima a la frontera con Turquía, según la agencia de noticias oficial del país. Siria es desde hace más de cinco años escenario de un conflicto que ha causado la muerte de más de 280.000 personas, de acuerdo a las cifras del Observatorio Sirio de Derechos Humanos. EFE/SANA SÓLO USO EDITORIAL/PROHIBIDA SU VENTASíria

Conflitos deixaram mais de 56 milhões de pessoas em uma situação de crise ou emergência alimentar informaram, nesta sexta-feira, 29, em Roma, duas agências da ONU após a análise dos casos de 17 países imersos na violência.

A Organização da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e o Programa Mundial de Alimentos (PMA) entregaram um relatório ao Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a insegurança alimentar nesses países, o que está “dificultando os esforços globais para erradicar a desnutrição” no mundo.

Em comunicado conjunto, as duas agências com sede em Roma apontaram que, nessas zonas, mais de 56 milhões de pessoas sofrem com altos níveis de fome, de acordo com a escala integrada que é utilizada para classificar as fases da segurança alimentar (IPC, por sua sigla em inglês) e outros análises.

A deterioração da situação é particularmente preocupante no Iêmen, Síria, Sudão do Sul, Burundi e na bacia do lago Chade, segundo o relatório.

Cerca da metade da população iemenita, 14 milhões de pessoas, sofrem com uma crise ou emergência pela fome, enquanto na Síria 8,7 milhões de pessoas (37% da população anterior à guerra) necessitam de urgência de ajuda alimentícia, assim como 4,8 milhões de pessoas no Sudão do Sul (40% da população).

A ONU mostrou sua preocupação com esses dois últimos países devido a deterioração progressiva que sofreram em 2016 segundo foram se prolongando os conflitos.

As agências também alertaram que a violência do grupo jihadista Boko Haram triplicou o número de deslocados nos últimos dois anos na região do lago Chade, que abrange Nigéria, Níger, Chade e Camarões, o que elevou os níveis de fome e desnutrição.

Em países que estão saindo de longos períodos de guerra civil como a Colômbia, milhões de pessoas seguem sofrendo com um alto grau de insegurança alimentícia.

Em outras zonas, embora o número absoluto de pessoas que passam fome seja mais baixo, estes representam uma alta porcentagem da população, como ocorre no Burundi (com 23%), Haiti (19%) e a República Centro-Africana (50%).

Além disso, calcula-se que 89% de todos os refugiados sírios que atualmente vivem no Líbano precisam de ajuda alimentícia urgente.

Outros países onde o conflito afetou de modo significativo a segurança alimentar são a República Democrática do Congo, Guiné-Bissau, Costa do Marfim, Libéria, Mali, Somália, Sudão, Iraque e Afeganistão.

A FAO e o PMA destacaram que o conflito é uma das principais causas da fome, já que destrói os cultivos, o gado e a infraestrutura agrícola, bloqueia os mercados e força os deslocamentos.

Além disso danifica o capital humano, contribui ao contágio de doenças e dificulta o acesso de governos e organizações humanitárias à população afetada, entre outras coisas.

Segundo as últimas estimativas, aproximadamente a metade dos pobres do planeta vive em países caracterizados pelo conflito e violência.