ONU espera acordo para governo de unidade na Líbia até fim de agosto

  • Por Agencia EFE
  • 11/08/2015 19h19

Genebra, 11 ago (EFE).- O enviado especial da ONU para a Líbia, Bernardino Léon, disse esperar que as facções rivais que iniciaram nesta terça-feira uma nova rodada de negociações cheguem antes do final de agosto a um acordo sobre um governo de unidade.

“Se houver êxito, se houver vontade política, criatividade e sabedoria, com propostas sobre a mesa, então poderemos ter uma ratificação, um voto final e uma assinatura (de um pacto) nas primeiras semanas de setembro”, disse em entrevista coletiva.

León explicou que o “calendário ideal” para a negociação seria concluir todo o acordo antes do início da Assembleia Geral da ONU, no dia 21 de setembro. O evento seria uma oportunidade para que o novo governo recebesse o aval da comunidade internacional.

“Seria ideal, mas sabemos que estamos em um processo complexo, com muitos atores e desafios. Por enquanto esse é o calendário ideal. Veremos se nas próximas semanas será possível cumpri-lo”, comentou.

A rodada de negociações começou hoje, com um dia de atraso, após a chegada a Genebra dos representantes das diferentes facções que disputam o poder e controlam vários territórios na Líbia.

“Estou desejando de ver todos os atores ao redor da mesa de negociação”, disse León, que atua como mediador no delicado processo iniciado no começo do ano e visto como a única alternativa para estabilizar o país.

“Houve atraso para retomar as conversas, mas está valendo a pena tentar reuni-los. Que todos participem hoje e amanhã das negociações”, disse o enviado da ONU, após a resistência do grupo que controla Trípoli – o Congresso Geral da Nação (CGN) – de enviar uma delegação para Genebra.

O CGN se negou a assinar em 11 de julho, ao término de uma rodada de negociação realizada no Marrocos, um acordo para a formação de um governo de unidade. Também ameaçou, na época, não enviar uma delegação à cidade suíça caso não houvesse garantias de que a proposta seria modificada.

O documento, por outro lado, foi assinado pela facção rival, a Casa dos Representantes, o parlamento reconhecido pela comunidade internacional e que tem sede em Tobruk, no nordeste do país.

“Vamos escutar e abordar as preocupações de todas as partes. Trabalhamos sempre sob o princípio de inclusão e seguiremos fazendo isso”, garantiu o enviado da ONU.

León reconheceu que as negociações “só serão bem-sucedidas” se pudermos tranquilizar todos. Além disso, afirmou que cada um dos partidos políticos líbios poderá “expressar suas inquietações, prioridades e expectativas”. EFE