ONU propõe revisão do “insustentável” sistema produtivo alimentar

  • Por EFE
  • 25/05/2016 13h12
Feira agropecuária AgroBrasília – Feira Internacional dos Cerrados, no Parque Tecnológico Ivaldo Cenci, no km 5 da BR-251, no Paranoá, Distrito Federal (Valter Campanato/Agência Brasil)Feira Internacional dos Cerrados

A ONU apresentou, nesta quarta-feira (25), um pacote de 12 medidas para acabar com a fome no mundo e reduzir o impacto ecológico da produção de alimentos para um m sistema “insustentável” a médio prazo e, atualmente, responsável por 60% da perda global de biodiversidade.

Entre as medidas propostas, destacam-se um aumento da produtividade agrícola, a redução no consumo de carne e outros produtos que requerem um uso intensivo de recursos naturais, além da conscientização do consumidor final sobre suas decisões alimentícias.

São “soluções reais que podem fazer a diferença”, explicou Janez Potonick, ex-comissário de Meio Ambiente da UE e co-presidente do Painel Internacional de Recursos (IRP), órgão de especialistas que assessora a ONU e autor da proposta.

O relatório foi exposto, também nesta quarta, na Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente, que acontece em Nairóbi, capital do Quénia.

Outra das medidas propostas pelo IRP é conectar os centros urbanos com as zonas rurais para fomentar as redes de fornecimentos regionais, mais eficientes e menos poluentes.

“Há 60 ou 70 anos, uma caloria de combustível produzia entre 200 e 300 calorias de alimento. Agora, é o contrário, isto é, para se produzir uma caloria de alimento são necessários de 300 a 400 calorias de combustível por culpa do transporte, do empacotamento e da armazenagem das mercadorias”, afirmou o ex-presidente do IRP Ashok Khosla.

Em consequência, outra recomendação é eliminar os subsídios para combustíveis fósseis, uma medida que será muito polêmica e custará a ser justificada apesar de pressupor um grande avanço para eliminar práticas pouco sustentáveis.

Segundo o grupo de especialistas, os sistemas de produção atual criaram um paradoxo no qual 800 milhões de pessoas vivem abaixo do umbral da pobreza e outros 2 bilhões sofrem problemas de sobrepeso ou obesidade.

A produção de alimentos também é responsável por 60% da perda de biodiversidade global e por 24% da emissão de gases do efeito estufa.

“A perda de biodiversidade, as mudanças climáticas e a degradação do solo são grandes problemas que têm um impacto direto na segurança alimentar”, acrescentou Potonick.

O rápido crescimento econômico dos países emergentes acrescentará mais pressão a um meio ambiente que já está em uma situação crítica. A tendência de indicadores estima que cerca de 3 bilhões de pessoas serão incorporadas à classe média até 2050.

Um aumento da renda per capita costuma modificar a dieta da população, que passa de rica em carboidratos para alimentos ricos em calorias, açúcares e lipídios e produtos processados, o que causa “custos ambientais desproporcionais” e gera um problema de saúde pública.

No entanto, o ex-comissário europeu lembrou que a mudança nos hábitos de consumo não é um problema exclusivo dos países em vias de desenvolvimento e que os países do chamado “Primeiro Mundo” também devem mostrar iniciativa.

“A União Europeia publicou um estudo que calculava que uma redução de 50% no consumo de carne, a nível europeu, alcançaria uma redução entre 25% e 40% nas emissões de gases do efeito estufa”, sentenciou.

Durante a jornada, a ONU também lançou a campanha internacional “Wild for Life” que, com o apoio de líderes políticos e celebridades como a modelo brasileira Gisele Bündchen, pretende mobilizar a sociedade para lutar contra o tráfico ilegal da fauna selvagem.