Oposição agita debate sobre refugiados para conter ascensão da esquerda

  • Por Agencia EFE
  • 16/06/2015 18h03

Copenhague, 16 jun (EFE).- A oposição de direita recorreu na última semana de campanha das eleições legislativas da próxima quinta-feira na Dinamarca a agitar o debate sobre política de estrangeiros e asilo político para conter a ascensão do governo de centro-esquerda nas pesquisas.

A imigração foi tema central das campanhas eleitorais desde que, em 2001, a direita a usou como arma principal para chegar ao poder, instaurando uma das linhas mais ferrenhas da UE, já que a Dinamarca tem exceções nessa área à política comunitária.

O triunfo da centro-esquerda nos pleitos anteriores representou que se suavizassem ligeiramente as condições para os refugiados, embora o aumento considerável de solicitantes de asilo chegados em 2014 fez com que o governo aprovasse em fevereiro a concessão apenas de permissões provisórias no primeiro ano e sem direito a reagrupamento familiar.

Temas como o seguro desemprego e as reformas do Estado do bem-estar social tinham dominado as duas primeiras semanas desta campanha, mas quando as pesquisas começaram a apontar a possibilidade de um triunfo da centro-esquerda, improvável há apenas um mês, a oposição recorreu a seu tema favorito: os imigrantes.

O Partido Liberal propôs diminuir de forma sensível o subsídio aos solicitantes de asilo e endurecer o acesso a outras ajudas sociais para que em menos de um ano o número de refugiados se reduza, promete o líder da legenda, Lars Lokke Rasmussen, que atacou com ferocidade o governo nessa questão.

Embora os dados de 2015 indiquem uma queda, Rasmussen apontou que a Dinamarca foi em 2014 o quinto país da UE que mais solicitantes recebeu (cerca de 14 mil), quando em sua época como primeiro-ministro (2009-2011) ocupava o décimo lugar.

Mais longe chegou o Partido Popular Dinamarquês (DF), de linha ultraconservadora e que durante uma década apoiou o governo anterior e impulsionou com seus votos a rigidez na imigração, além de fazer com que o debate beirasse a xenofobia.

O DF, que as pesquisas indicam que tem 20% da preferência do eleitorado e ganhou o último pleito para assentos no parlamento europeu com um quarto dos votos, aposta no fim das concessões de asilo político a refugiados e financiar em seu lugar centros de amparo em áreas próximas aos países de procedência destes.

O governo e ONGs como a Ajuda ao Refugiado lembraram que a Dinamarca não pode ignorar o fato de que a Europa vive a maior onda de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial e que as medidas da direita não poderão conter a chegada de pessoas a um dos países mais ricos do mundo.

A primeira-ministra, a social-democrata Helle Thorning-Schmidt, contra-atacou com um novo plano para cobrir as despesas dos solicitantes de asilo com a verba de cooperação exterior e propondo que estes e seus parentes estejam trabalhando em um mês no máximo após terem chegado.

“Os imigrantes que não trabalharam demais apesar de estar há muitos anos na Dinamarca são uma provocação para todos”, disse Thorning-Schmidt, cujo convite a um grande acordo pós-eleitoral sobre o tema foi rejeitado pelos liberais.

Um estudo recente divulgado pelo jornal “Politiken” e pela emissora “TV2” revelou que enquanto os dinamarqueses acreditam que a população muçulmana chega a 9,4% do total, a realidade mostra que ela já alcança a metade.

O duro debate sobre imigração na Dinamarca nas duas últimas décadas contrasta com a situação na Suécia, um país com grande tradição de amparo e onde os partidos dos dois lados do arco político não têm grandes diferenças no tema, com exceção do ultradireitista Democratas da Suécia.

No pleito de setembro do ano passado, a questão dos refugiados foi um tema pouco acalorado no país, apesar de em 2014 ter recebido 81.300 solicitantes de asilo, o maior número relativo de toda a UE e cinco vezes superior ao da vizinha Dinamarca. EFE