Oposição venezuelana convoca nova manifestação e governo nega permissão

  • Por Agencia EFE
  • 08/03/2014 02h23

Caracas, 7 mar (EFE).- A oposição da Venezuela convocou nesta sexta-feira seus simpatizantes a participarem neste sábado em uma nova manifestação contra o desabastecimento de produtos básicos no país, uma mobilização que não foi autorizada pelo governo local, por considerar que a mesma “pode se tornar violenta”.

“Mobilização nacional amanhã contra um dos graves problemas que afeta e une TODOS os venezuelanos: a ESCASSEZ”, escreveu hoje o líder da oposição venezuelana Henrique Capriles através do Twitter.

O líder estudantil Juan Requesens também convidou seus simpatizantes para a manifestação através da mesma rede social e, após afirmar que o povo venezuelano tomará as ruas “novamente”, informou que a convocação é para as 10h locais (11h30 de Brasília) e que partirá rumo à sede do Ministério de Alimentação.

A deputada de oposição María Corina Machado também convocou seus seguidores através do Twitter para que saiam às ruas neste sábado, Dia Internacional da Mulher, e protestem “contra um regime” que mata “com balas e com fome”.

A manifestação está organizada para acontecer no município de Libertador, na região metropolitana de Caracas, onde governa o prefeito chavista, Jorge Rodríguez, que na noite da sexta-feira anunciou pelo Twitter que não autorizou a realização do protesto.

“Quero informar através desta via que não há permissão para nenhuma manifestação da direita amanhã, sábado, no município de Libertador”, escreveu Rodríguez que acrescentou em outra mensagem: “devemos resguardar a vida e os bens dos moradores do município, portanto, negamos permissão para uma marcha que pode se tornar violenta”.

Em seguida, Rodríguez reiterou: “Libertador é um município de paz e livre do fascismo, e assim o manteremos”.

O prefeito repetiu assim a ordem que emitiu quando o dirigente opositor Leopoldo López convocou uma concentração para que seus simpatizantes o acompanhassem quando ia se entregar para autoridades, atendendo a uma ordem de detenção, no dia 18 de fevereiro. Apesar da falta de autorização, milhares de pessoas compareceram em seu apoio.

Hoje, uma nova mobilização levou dezenas de estudantes e opositores para uma praça do leste de Caracas. Os manifestantes se vestiram com camisas brancas pintadas de vermelho para simbolizar o sangue dos mortos pelo crime organizado nos últimos anos, conforme era possível ver em seus cartazes.

O protesto pacífico terminou com muitas velas acesas e orações em memória das vítimas da violência na Venezuela que, segundo dados oficiais, somente no ano passado chegaram a 11 mil, enquanto o levantamento de algumas ONGs eleva o número para perto de 25 mil, um dado que não é reconhecido pelo governo.

A Venezuela vive uma onda de protestos contra o governo desde o último dia 12 de fevereiro. As manifestações ocorreram em várias cidades do país e, em alguns casos, terminaram com incidentes violentos, com pelo menos 19 mortes, 318 feridos e 1.103 pessoas detidas, segundo dados oficiais. EFE