Opositor desiste de disputa eleitoral na Guatemala
Guatemala, 14 set (EFE).- O candidato presidencial do partido opositor Liberdade Democrática Renovada (Lider) da Guatemala, Manuel Baldizón, anunciou nesta segunda-feira que abandonou a disputa eleitoral para um segundo turno devido a “indícios de corrupção” no processo de eleições do dia 6 de setembro.
Baldizón, político e empresário de 45 anos, tentava pela segunda vez chegar à presidência pelo mesmo partido, mas, segundo os resultados preliminares divulgados pelas autoridades eleitorais, ficaria fora do segundo turno programado para o dia 25 de outubro, após a vitória do comediante Jimmy Morales no primeiro.
De acordo com os resultados preliminares do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE), faltando apurar menos de 1% dos votos, o ganhador do pleito presidencial é Morales, da Frente de Convergência Nacional (FCN), com 23,85%, seguido pela ex-primeira-dama Sandra Torres, da União Nacional da Esperança (UNE) com 19,76%, e Baldizón, com 19,64%.
Como Morales não alcançou a marca de 50% mais um voto, será necessária a realização de um segundo turno entre ele e o segundo candidato mais votado.
“Eu me retiro da disputa”, anunciou Baldizón nesta segunda-feira à rádio local “Sonora es la Noticia”, para a qual também disse que não aprova as últimas eleições gerais porque devido a “indícios de corrupção” e falta de “legitimidade”.
No pleito ocorreram “irregularidades”, como as queimas de alguns votos e outras “anomalias”, além de “atrasos injustificados” na divulgação dos resultados definitivos por parte do TSE, argumentou Baldizón.
O candidato do Lider denunciou na semana passada uma “fraude” nas eleições, mas admitiu que não tinha provas suficientes para apresentar.
O porta-voz do Lider, Fridel de León, confirmou nesta segunda-feira à Efe a decisão de Baldizón de deixar a disputa eleitoral e disse que a mesma foi tomada hoje, após uma reunião com o comitê executivo e os deputados do partido.
Caso os resultados finais das eleições surpreendam e o Lider passe para o segundo turno, De León afirmou que o partido não participará da disputa.
De León disse que o TSE “não tem vontade” para fazer um processo eleitoral “transparente”, por isso Baldizón não teve outra alternativa a não ser renunciar e se dedicar à vida “empresarial e familiar”.
O porta-voz também denunciou que o empresário foi “vítima”, há mais de um ano de um “linchamento” nas redes sociais, fato que “afetou sua imagem” e sua vida.
Embora não acredite que Baldizón abandonará a política completamente, De León espera que o Lider continue a contar com ele como “conselheiro” e garantiu que seguirá participando das atividades de caráter social por ter “grande vocação de serviço”. EFE
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