Pagamento de propina fura fila do Hospital das Clínicas, diz jornal

  • Por Estadão Conteúdo
  • 08/06/2016 13h04
Hospital das Clinicas

O pagamento de R$ 380 a um grupo de funcionários do Hospital das Clínicas (HC), na zona oeste da capital paulista, permite ao paciente que fure a fila de espera para consultas, exames, cirurgias e medicamentos no maior complexo hospitalar da América Latina. A informação foi revelado pelo jornal Diário de S.Paulo, nesta quarta-feira (8).

A reportagem do jornal se passou por paciente e acompanhou, durante três semanas, o funcionamento do suposto esquema, que começa com um servidor público do último escalão do HC e termina dentro de um consultório, com o atendimento por um especialista de renome.

De acordo com o periódico, o grupo é formado por um funcionários da manutenção, auxiliares administrativos e, ao menos, um médico. A reportagem afirmou que, com o pagamento, obteve a matrícula que comprova ser paciente do HC, furou a fila do Sistema Único de Saúde (SUS) e recebeu uma receita do neurologista.

O jornal disse que os médicos entram no esquema ao abrir brechas em suas agendas “oficiais” para atender aos pacientes conduzidos até a porta do consultório pelo servidor. O auxiliar de serviços gerais seria o responsável pela captação dos “clientes” e pelo recebimento do dinheiro.

Procurado pela reportagem do jornal, o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP) informou que será aberta uma sindicância para apurar os fatos relatados e que, comprovada a participação de funcionários, eles serão exonerados. O hospital pontua que “o funcionário citado na reportagem será afastado preventivamente”.

Em caso de participação de médicos, a instituição de saúde encaminhará a denúncia ao Conselho Regional de Medicina (CRM). O hospital declarou que fará o registro de um boletim de ocorrência para que os fatos sejam investigados.

Após a publicação da reportagem, a Corregedoria Geral da Administração (CGA) do governo estadual iniciou diligência no HC para apurar a denúncia. Em nota, a CGA informou que quatro corregedores foram destacados para a investigação, que, além das diligências, terá oitivas com os funcionários.