Países Não-Alinhados mostram disposição em continuar lutando por equilíbrio

  • Por Agencia EFE
  • 28/05/2014 17h14

Jorge Fuentelsaz.

Argel, 28 mai (EFE).- Os ministros de Relações Exteriores do Movimento dos Países Não-Alinhados (MNA) concordaram nesta quarta-feira em Argel, durante a 17ª reunião ministerial deste grupo fundado em 1961, a necessidade de aumentar a solidariedade comum para continuar sua luta por um mundo mais equilibrado.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammed Javad Zarif, cujo país ocupa a presidência rotativa do MNA, pediu reforço das ações “para a defesa dos interesses (comuns) em um mundo por outro lado”.

Já o primeiro-ministro argelino, Abdelmalek Selal, que falou em nome do presidente do país anfitrião, Abdelaziz Bouteflika, pediu que se lute, em particular, contra o terrorismo, o crime organizado e o tráfico de drogas, “perigos” que, segundo ele, ameaçam atualmente a comunidade internacional.

A esses desafios, a presidente da comissão da União Africana, Nkosazana Dlamini-Zuma, acrescentou que os esforços do MNA no continente africano continuavam estando dirigidos ao “desenvolvimento da África e a erradicar os conflitos e encontrar um mundo melhor para as gerações futuras”.

“É essencial continuar os esforços desdobrados por nosso movimento por um mundo mais humano, mais equilibrado e mais solidário com o objetivo de repartir os frutos do progresso universal a favor de toda a humanidade”, acrescentou o chefe do governo argelino.

Neste contexto, vários participantes insistiram na necessidade de reformar o atual sistema das Nações Unidas, uma das reivindicações desta organização, composta por 119 membros, quase dois terços dos Estados da ONU, e que resiste a desaparecer 53 anos após seu nascimento.

Uma das vozes mais críticas neste sentido foi a do presidente da Bolívia, Evo Morales, que em discurso marcadamente anticapitalista e anti-imperialista declarou: “A estratégia do império é criar conflitos sociais para intervir com a Otan”.

Uma ideia repetida pelo chanceler venezuelano, Elías Jaua Milano, que, em discurso de similares características ao de Morales, não duvidou em assegurar que os “grupos terroristas” estão “encorajados pelas potências ocidentais, para depois justificar sua intervenção militar”.

Morales, presidente rotativo do grupo dos 77 países em desenvolvimento (G77) e a China, que terá sua próxima cúpula em junho na cidade boliviana de Santa Cruz, usou como exemplo a Venezuela, onde, segundo ele, está sendo impulsionado “um conflito interno para planejar outra intervenção militar”.

Neste sentido, Morales descreveu o Conselho de Segurança da ONU como um “Conselho de Insegurança” cujo último objetivo é, acrescentou, se apoderar das riquezas naturais das nações em vias de desenvolvimento.

“Enquanto houver um pensamento de dominação e de intervenção não haverá paz”, ressaltou o presidente boliviano, que lembrou que sua visita a Argel era a primeira de um chefe de Estado de seu país a uma nação da África.

Além disso, o boliviano disse que “a paz não é nem será filha de bases militares e nem da corrida armamentista. A paz será produto da justiça e da igualdade de nossos povos”.

Sobre o MNA e o G77 e China, Morales disse que são duas organizações complementares: a primeira “luta contra a colonização”, enquanto a segunda “procura a justiça social com base em projetos econômicos”, com o objetivo de “diminuir as assimetrias”.

A conferência ministerial do MNA, prévia à cúpula de chefes de Estado prevista na Venezuela para o próximo ano, começou hoje no Palácio das Nações, situado nos arredores de Argel, com a presença de 80 personalidades de diferentes países e organizações internacionais, segundo o Ministério das Relações Exteriores argelino. EFE

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