Palestina conquista vitória extracampo e sediará jogo das Eliminatórias

  • Por Agencia EFE
  • 07/09/2015 18h18

Nuha Musleh e Daniela Brik.

Ramala/Jerusalém, 7 set (EFE).- A seleção da Palestina se prepara para disputar uma partida oficial em casa pela primeira vez na história nesta terça-feira, pelas Eliminatórias asiáticas para a Copa do Mundo de 2018 e vem comemorando como um título o fato de poder medir forças com os Emirados Árabes em seu território.

“Em nossa história houve momentos em que nos disseram que não existíamos, que não tínhamos direito a um estado, e hoje somos reconhecidos internacionalmente e podemos disputar um jogo de classificação na Palestina. Nesse sentido, já podemos comemorar como uma vitória”, disse à Agência Efe o porta-voz da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e fã de futebol, Xavier Abu Eid.

A emoção generalizada antes do duelo no estádio Faisal al Hosseini, na cidade de A-Ram, vizinha de Jerusalém Oriental e com gramado sintético, não é por acaso. O jogo desta terça é o primeiro em solo palestino desde 2011 e inédito em competições oficiais.

O fato é considerado por todos os palestinos um gol diplomático em um ano no qual o futebol se tornou mais uma ferramenta na luta contra as medidas restritivas impostas pelas autoridades israelenses.

A partida é mais uma forma através da qual os palestinos pedem para serem reconhecidos como nação. Para que ela aconteça, alguns atletas que vivem na Faixa de Gaza, controlada pelo grupo islamita Hamas, terão de se deslocar à Cisjordânia e a Jerusalém através de território israelense.

Todos os ingressos foram vendidos, e o credenciamento para a imprensa também já foi encerrado. O presidente da Associação Palestina de Futebol (APF), Jibril Rajub, classificou o duelo pelo grupo A das eliminatórias como “histórico”. O dirigente é conhecido por, entre outras medidas, vir tentando junto à Fifa a expulsão de Israel da entidade por suposta violação das regulações do organismo.

Desde que foi inaugurado, em 2008, o estádio Faisal al Hosseini se tornou sede das partidas menores da seleção local, que, no entanto, mandava os grandes confrontos fora de seu território. O lugar é considerado pelos palestinos símbolo de reconhecimento a sua centralidade na parte oriental de Jerusalém.

A emoção não se deve apenas ao fato de jogar em casa, mas também pela situação da Palestina no grupo A das Eliminatórias. A equipe, que disputou a Copa da Ásia neste ano, soma três pontos, atrás dos EAU e da Arábia Saudita, para quem perdeu na rodada anterior.

“De alguma maneira, até agora, íamos às competições levantar a bandeira palestina. Agora acredito que vamos também concorrer”, declarou Abu Eid.

Entre os 11 titulares há quatro jogadores palestinos de origem chilena com ampla experiência esportiva: Matías Jadue, Alexis Norambuena Jonatan Cantillana e Pablo Tamburrini. O grupo inclui ainda atletas que atuam na Suécia, em Portugal e na Sérvia. O restante é da Cisjordânia, de Jerusalém Oriental e de Gaza. EFE