Papa realizará duas missas, e se reunirá com refugiados na Terra Santa

  • Por Agencia EFE
  • 27/03/2014 18h45

Jerusalém, 27 mar (EFE).- O papa Francisco visitará os refugiados sírios e palestinos e realizará duas grandes missas em Amã e Belém durante sua viagem à Terra Santa em maio, informou nesta quinta-feira o patriarca latino de Jerusalém, Fouad Twal.

Em entrevista coletiva realizada na capital de Israel, o religioso garantiu que o pontífice está “muito satisfeito” com um programa que foi politicamente difícil de elaborar. Ele descartou que a visita possa ser cancelada pela greve que os funcionários do Ministério das Relações Exteriores de Israel mantêm há alguns dias. Hoje, a Sala de Imprensa da Santa Sé publicou o programa oficial da visita do papa à Terra Santa.

“O papa vem à Terra Santa com uma mensagem de entendimento, paz, justiça e reconciliação, e com a ideia de inspirar a solidariedade com os pobres e com os refugiados”, explicou na sede do Patriarcado, na Cidade Antiga.

Twal afirmou que Francisco “viaja para três países e se reunirá com os três chefes de Estado” (jordaniano, israelense e palestino) e ressaltou que um de seus principais objetivos é também transmitir uma mensagem de unidade entre os cristãos.

O religioso argumentou que o Francisco dará ênfase especial na comemoração do 50º aniversário do encontro histórico na entre o papa Paulo VI e o Patriarca Atenágoras, que iniciou o movimento rumo à reconciliação entre católicos e ortodoxos.

“Ele quer comemorar esse encontro e transmitir o espírito de unidade entre as igrejas. Inspirar a unidade além da solidariedade com os pobres e os mais desfavorecidos”, afirmou.

A primeira visita do papa Francisco à Terra Santa começará em 25 de maio na Jordânia. Ele será recebido ao meio-dia pelo rei Abdullah II antes de celebrar uma grande missa no Estádio Internacional de Amã. Depois, Francisco irá para Betânia, no Rio Jordão, onde acredita-se que Jesus foi batizado.

Ali, o papa se reunirá com um grupo de jovens portadores de deficiência e com refugiados da guerra civil na Síria, aos quais transmitirá uma mensagem de convivência e de paz, conforme disse à Agência Efe o patriarca latino.

Na manhã seguinte, o papa viajará de helicóptero para Belém “onde será recebido pelo presidente da Palestina”, Mahmoud Abbas. Lá, será celebrada uma grande missa na Praça da Manjedoura “à qual estão convidados todos os cristãos da Terra Santa”, incluídos os que vivem na cercada Gaza.

Após almoçar com famílias palestinas no Convento Franciscano de Casa Nova, em Belém. Depois disso, está prevista a visita particular à Gruta da Natividade. Em seguida, ele receberá as crianças dos campos para refugiados de Dheisheh, Ainda e Beit Jibrin no Phoenix Center do campo de refugiados de Dheisheh, próximo ao muro de separação construído por Israel.

Apesar de estar a apenas sete quilômetros de Jerusalém, na tarde do mesmo domingo, o papa Francisco viajará de helicóptero ao aeroporto de Ben Gurion, próximo a Tel Aviv, onde receberá as boas-vindas do Estado de Israel.

Dali voltará para Jerusalém para ter no Santo Sepulcro um dos pontos-chave da visita: o encontro ecumênico pela ocasião do 50º aniversário da reunião entre Paulo VI e o patriarca greco-ortodoxo.

No último dia de visita, 26 de maio, o papa visitará a Esplanada das Mesquitas, principal ponto de conflito entre judeus e muçulmanos. Ali se reunirá com o Grã-Mufti (principal autoridade religiosa) de Jerusalém, Muhammad Ahmad Hussein, em uma data especial para os muçulmanos. Nesse dia é lembrada a ascensão do profeta Maomé aos céus, que a tradição islâmica marca que ocorreu exatamente nesse ponto.

Depois, passeará pelo Muro das Lamentações – o lugar mais sagrado do judaísmo -, colocará flores no Monte Herzl e visitará o Museu do Holocausto, Yad Vashem.

No mesmo domingo, ele irá ainda a Grande Sinagoga de Jerusalém, onde encontrará com os dois grandes rabinos de Israel, será recebido pelo presidente Shimon Peres, no palácio presidencial, e terá um encontro fechado com o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu.

A visita terminará com um encontro com os sacerdotes, religiosos, religiosas e seminaristas na Igreja do Getsêmani e uma homilia no Cenáculo, lugar no qual acredita-se que Jesus celebrou a última ceia e é objeto de disputa das três religiões monoteístas, já judeus acreditam que lá está escondido o túmulo do rei David e os muçulmanos construíram uma mesquita. EFE