Para ciclista, crédito só vai funcionar se o reembolso for igual ao subsídio

  • Por Estadão Conteúdo
  • 18/07/2016 08h56
19-09-2015 - São Paulo - De bicicleta pela zona oeste de São Paulo. Foto: Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicasbike

O valor dos créditos é que determinará o sucesso ou o fracasso do programa, na avaliação do ciclista Roberson Miguel, de 36 anos. Defensor da expansão das ciclovias para a periferia e do uso da bicicleta como meio de transporte diário, ele vê potencial no projeto desde que o reembolso seja equiparado ao subsídio pago às empresas de transporte.

“A Prefeitura tem de definir um valor cheio. Não é justo fazer esse cálculo de acordo com a distância percorrida. O ciclista vai deixar de usar o ônibus ao pedalar três, quatro ou dez quilômetros”. Para o ativista, repassar o subsídio integral é a política mais justa, pois “a empresa ganha a mesma quantia por passageiro que passa cinco minutos ou duas horas no ônibus. Por que os ciclistas não podem ter o mesmo tratamento?”, indaga o técnico em informática.

Morador do Jardim Damasceno, na zona norte, Miguel usa a ciclovia da Avenida Inajar de Souza para chegar ao centro. Ele diz que, de bike, demora de 15 a 20 minutos para fazer o primeiro trajeto da viagem, do bairro ao Terminal Cachoeirinha. De ônibus, seriam 45 minutos, “é um trecho plano, fácil de cruzar pedalando. Com o bilhete mobilidade, acho que mais pessoas poderiam optar por essa troca”.

Outra ressalva feita pelo cidadão diz respeito ao uso dos créditos. O ciclista defende que a rede credenciada sugerida pela Prefeitura seja mais diversificada e inclua, por exemplo, sacolões municipais, mercados e papelarias, “esse seria um forte atrativo, andar de bicicleta renderia compra de alimentos ou de material escolar”.

IPTU

Segundo o vereador José Police Neto (PSD), a administração municipal cogita ainda permitir o uso desses créditos no pagamento de tributos, como o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), ou contas de água ou luz. A gama completa de opções deverá ser definida somente com a regulamentação do projeto, pelo prefeito, após a aprovação definitiva pela Câmara. 

Para a ciclista Fabia Barbieri, de 39 anos, qualquer política que promova a bike como meio de transporte é bem-vinda, “estamos discutindo uma mudança cultural. Isso, sabemos, leva tempo. Então, quanto mais formas de incentivo tivermos, melhor será”.

Economia

Sócia-fundadora do aplicativo Bike na Firma, no qual empregadores cadastrados concedem benefícios a funcionários que vão trabalhar de bicicleta, a gestora afirma que substituir o carro pela bicicleta, durante a semana, rende uma economia de R$ 7,2 mil por ano, “vale a pena, financeiramente falando. Talvez esse projeto ajude a mostrar isso”.