Para especialista, China vai sofrer pressão dos EUA para controlar Coreia do Norte

  • Por Jovem Pan
  • 07/02/2016 17h01
Foguete Coreia do Norte - EFE

A Coreia do Norte lançou um foguete de longo alcance neste domingo (7), o que foi interpretado por críticos como um desafio à comunidade internacional.  O país alega que colocou o satélite em órbita, mas a atitude foi vista como uma provocação pelos Estados Unidos e aliados. A ONU convocou, inclusive, uma reunião de emergência para discutir possíveis ações.

Em entrevista à rádio Jovem Pan, o professor de Relações Internacionais da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), Marcos Vinicius de Freitas, afirmou que a situação “é extremamente delicada porque esse lançamento, que seria um satélite e que muitos entendem como sendo uma plataforma de lançamento de mísseis, preocupa a comunidade internacional. Ele vem, inclusive, um mês depois do suposto teste com uma bomba de hidrogênio. Então, todo mundo fica muito preocupado porque não se sabe como um ditador, como você tem atualmente na Coreia do Norte, vai utilizar esses instrumentos nucleares”, relatou. 

O professor da Faap disse que espera uma reação da comunidade internacional, mas ponderou que até o secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, já declarou que o Irã sofreu mais sanções por desejar ter uma bomba nuclear do que a Coreia do Norte. “O grande fator importante ali é, que, quem tem mais ou menos o controle da situação é a China, que é o maior investidor da Coreia do Norte. […] Porém, os chineses têm muito medo de implementar sanções que venham prejudicar a relação entre os países porque não se sabe como seria o dia seguinte se houvesse a queda do presidente da Coreia do Norte”, explicou.

Para Freitas, a China deve sofrer pressões dos EUA daqui em diante. “A partir do momento que você tem uma bomba mais letal e passa a ter uma tecnologia de entrega […] você sai do ponto A e atinge o ponto B. Pelo o que a gente está analisando, o perímetro que ela consegue fazer com o que foi lançado seria de 9 mil quilômetros, o que começa a ser uma preocupação para Europa e Estados Unidos. Se ela historicamente tinha a bomba, ela tinha capacidade de fazer estrago. Agora, com essa nova tecnologia, a China vai sofrer uma pressão maior para controlar o que se passa no regime da Coreia do Norte”.

O professor também ressaltou que a Coreia do Norte tem muito claro que seus instrumentos nucleares são importantes armas de negociação internacional. “Eles utilizam desse mecanismo para conseguir alguns benefícios. O mundo fica muito preocupado com essa tecnologia desenvolvida . Agora, se ele [o ditador Kim Jong-um] vai ter coragem de apertar o botão é uma preocupação que todos nós temos, mas temos que ter também com quem vem posteriormente a ele. Mesmo que nós tenhamos uma mudança de regime, toda essa tecnologia desenvolvida não vai ser perdida”, finalizou.