Paraguai combate rede que introduz chineses ilegalmente no Brasil

  • Por Agencia EFE
  • 05/02/2014 20h22

Assunção, 5 fev (EFE).- O Paraguai conseguiu pôr fim ao uso do país como território de passagem para levar cidadãos chineses ao Brasil e à Argentina por parte de uma rede de tráfico humano, disse à Agência Efe o diretor de Migrações, Jorge Kronawetter, que destacou as medidas aplicadas nos últimos meses para frear essas ações.

Desde agosto do ano passado, os agentes de migrações detectaram “seis ou sete” grupos de chineses, compostos por entre quatro e seis pessoas, que tentavam entrar com documentos falsos no aeroporto de Assunção, detalhou.

“Para este tipo de coisas tem que haver algum cúmplice aqui, alguém para recebê-los”, disse Kronawetter, que explicou que do Paraguai a rede de tráfico levava os chineses a Argentina e Brasil.

O funcionário deu como exemplo a descoberta no ano passado de uma dezena de chineses que trabalhavam em condições “sub-humanas” em supermercados argentinos e que tinham ingressado ao país por terra do Paraguai.

Os imigrantes chegavam por avião com escala em São Paulo e, posteriormente, mudaram sua rota e ingressavam por Lima, capital do Peru.

Kronawetter afirmou que o fluxo se deteve depois da aplicação de medidas de segurança nas resoluções de admissão emitidas pela Direção de Migrações, o documento que a rede falsificava.

Além disso, as autoridades paraguaias trabalham com as companhias aéreas para que elas impeçam o embarque de cidadãos que não contem com os papéis corretos.

“Coordenamos com eles ações que nos permitiram deter isso, pelo menos até o momento”, declarou.

As autoridades migratórias puseram os cidadãos chineses interceptados no aeroporto à disposição da Justiça, explicou Kronawetter.

Na entrevista o diretor destacou, além disso, o processo de incorporação de um sistema informático de controle biométrico cedido pela Argentina aos controles fronteiriços paraguaios, que investirão nos aparatos para seu funcionamento, com o que se alcançará uma vigilância “integrada” entre os países.

O sistema permite a leitura de digitais e passaportes e o registro de imagens faciais, explicou. “Isso vai nos colocar à altura de países modernos no que se refere ao passaporte eletrônico, que era algo que tínhamos pendente”, comentou.

O diretor de Migrações informou também que seu escritório analisa a possibilidade de impulsionar uma lei de anistia para os imigrantes ilegais que residem no Paraguai.

“Sabemos que existe muita gente de maneira irregular, principalmente na área fronteiriça com o Brasil”, acrescentou, ressaltando que essa situação pode ajudar empresas a violar os direitos trabalhistas dos estrangeiros. EFE

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