Parlamento britânico aprova intervenção aérea no Iraque

  • Por Agencia EFE
  • 26/09/2014 15h36

Londres, 26 set (EFE).- O parlamento britânico deu sinal verde nesta sexta-feira por grande maioria a que o Reino Unido se some a uma ofensiva aérea no Iraque contra o grupo jihadista Estado Islâmico (EI), que espera-se que comece nas próximas horas.

Em uma sessão extraordinária na Câmara dos Comuns, 524 deputados referendaram a proposta do governo do primeiro-ministro David Cameron, enquanto 43 votaram contra. O texto aprovado descarta, por enquanto, ataques britânicos na Síria, apesar de Cameron ter deixada aberta essa possibilidade ao garantir que não existem “barreiras legais” para estender a operação militar nesse país.

Sobre esse tema, o líder da oposição trabalhista, Ed Miliband, disse que considerará “qualquer proposta futura” para ampliar a ofensiva, ao tempo que insistiu que “seria melhor” contar nesse caso com o respaldo do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), dado que os bombardeios começaram sem o consentimento do regime sírio.

Há pouco mais de um ano, o parlamento impediu que Cameron antecipasse um plano de ataque contra a Síria para conter o suposto uso de armamento químico por parte do governo do presidente sírio, Bashar al-Assad.

Hoje, Cameron argumentou, durante um debate que durou cerca de seis horas, que o pedido de ajuda internacional que feito esta semana na ONU pelo primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, se refere neste caso ao apoio legal necessário para se unir à operação iniciada em agosto pelos Estados Unidos.

O Reino Unido mantém no Chipre há algumas semanas aviões de combate que colaboraram até agora em missões de informação americanas e que poderiam iniciar os bombardeios britânicos ainda neste fim de semana. Cameron ressaltou que as tropas que combaterão o Estado Islâmico no território não serão britânicas, mas soldados curdos ou o próprio exército iraquiano.

O primeiro-ministro do Reino Unido ressaltou que o EI é uma ameaça para os países ocidentais depois das execuções de dois jornalistas americanos e um voluntário britânico, e elevou o alerta nas últimas semanas.

“Se isto não for controlado, enfrentaremos um califado terrorista no litoral do Mediterrâneo, fronteira com um membro da Otan (Turquia), com uma declarada e provada determinação de atacar nosso país e a nossa população”, afirmou o primeiro-ministro.

Como já havia declarado ontem o ministro da Defesa, Michael Fallon, Cameron disse que a missão militar para tentar acabar com o Estado Islâmico levará “não meses, mas anos”. EFE