Parlamento britânico quer mais mulheres de meia-idade no serviço secreto

  • Por Agencia EFE
  • 06/03/2015 15h09

Londres, 6 mar (EFE).- Um relatório do Comitê de Inteligência e Segurança do parlamento britânico recomendou que as agências do serviço secreto do Reino Unido recrutem mais mulheres de meia-idade.

O documento defende que as mulheres no meio da carreira e as mães de meia-idade são um “campo de recrutamento inexplorado” que pode ser de grande utilidade para os serviços do MI5 (segurança interior), do MI6 (segurança exterior) e do GCHQ (centro de escutas).

O comitê presidido pela deputada Hazel Blears pede às agências de inteligência para irem além do perfil da jovem “recém-formada” para buscar novas espiãs.

No relatório, publicado nesta sexta-feira por diversos veículos da imprensa britânica, o comitê recomenda que os serviços secretos foquem a busca de candidatas em sites como o “Mumsnet”, voltado para o compartilhamento de informações sobre maternidade e estilo de vida.

Os deputados também acham necessário que os serviços secretos disponham de creches abertas durante 24 horas para que as espiãs, que fazem missões no exterior e costumam saber das viagens com pouca antecedência, possam ter onde deixar os filhos.

Os parlamentares consideram que os serviços secretos melhoraram quanto à “diversidade” de sexos nos últimos anos, apesar de criticarem que as mulheres ainda são minoria, com 63% de funcionários masculinos.

No total do serviço público no Reino Unido, por outro lado, as mulheres representam 53% da força de trabalho, estatística que cai bastante se forem considerados apenas os cargos mais altos. Apenas 19% dos cargos de liderança nos serviços secretos são exercidos por mulheres e 38% no total dos órgãos públicos britânicos.

Segundo Blears, os atuais níveis de comando mantêm uma “mentalidade tradicional masculina”, o que leva a “uma cultura de pressão do que fala mais alto e é mais agressivo em busca de seus objetivos”.

O relatório inclui o depoimento de uma funcionária do centro de escutas britânico que lamenta o “tipo de brincadeiras que escuta em um ambiente masculino” como no GCHQ.

Em outro relato, uma mulher que entrou há pouco tempo para o MI6 detalha como durante seu período de formação foi sugerida a usar seus “encantamentos femininos” para “melhorar as relações” com seus colegas e superiores.

“Foi muito frustrante para mim. Imagino que meus colegas homens não terão que utilizar esse tipo de encantamento para forjar boas relações”, afirma. EFE