Parlamento grego aprova 3º programa de resgate por grande maioria

  • Por Agencia EFE
  • 14/08/2015 08h19
Votação mostra divisão no Syriza

O parlamento da Grécia aprovou nesta sexta-feira, com grande maioria, a lei sobre o terceiro resgate estipulado com as instituições credoras durante uma longa sessão em que se tornaram evidentes mais uma vez as dissidências no governante Syriza.

A aprovação do resgate contou com 222 votos favoráveis, 64 contra, 11 abstenções e três ausências em uma câmara com 300 deputados.

O número de parlamentares do Syriza que negou seu respaldo ao resgate aumentou em relação à última votação sobre as medidas requeridas pelo resgate e até 43 deles deram as costas ao acordo.

O Executivo vê cair assim o “patamar psicológico” de 120 deputados que votam a favor que tinha fixado como número sustentável para continuar mantendo a estabilidade no parlamento.

Isto desencadeará, segundo a imprensa local, a convocação de uma moção de confiança que se realizaria após o primeiro desembolso do resgate, previsto para antes do dia 20, quando a Grécia deve devolver 3,4 bilhões de euros ao Banco Central Europeu.

No último dia 23 de julho foram 36 os parlamentares esquerdistas que votaram contra ou se abstiveram.

A votação, que começou com grande atraso devido às diferenças sobre o processo parlamentar, esteve marcada pelas dissidências no seio do Syriza que provocaram um acalorado debate em que vários membros do governo trocaram duros ataques com a presidente da câmara, Zoé Konstandopulu.

Konstandopulu foi uma das personalidades destacadas, que junto ao ex-ministro de Finanças, Yanis Varoufakis, votou contra o acordo.

Finalmente a sessão parlamentar aconteceu poucas horas antes da reunião informal dos ministros de Economia e Finanças da zona do euro, prevista para 13h GMT (10h de Brasília), que devem decidir se concedem o resgate ao país.

O primeiro-ministro, Alexis Tsipras, classificou o acordo para o terceiro resgate do país como uma “escolha forçosa” do governo, que após “esgotar todas as vias de negociação”, teve que escolher entre um programa de ajuda com o euro ou o dracma como moeda nacional.

“Perante um ultimato para a saída temporária da Grécia da zona do euro, tomamos a responsabilidade com o povo grego de seguir com vida e continuar a luta ao invés de escolher o suicídio (a saída do euro)”, declarou Tsipras durante seu discurso que precedeu o início da votação.