Parlamento ucraniano reúne-se para decidir passos perante intervenção russa

  • Por Agencia EFE
  • 02/03/2014 07h44

Kiev, 2 mar (EFE).- O Parlamento ucraniano realiza neste domingo uma sessão a portas fechadas para decidir que passos adotar perante a intervenção russa na república autônoma da Crimeia, povoada majoritariamente por pessoas de origem russa, enquanto se repetem os incidentes entre militares russos e ucranianos nessa região.

Segundo denunciou hoje Dmitri Biloserkovets, membro do partido ucraniano Udar, tropas russas tentam atacar uma unidade de instrução da Marinha ucraniana na cidade de Sebastopol, onde tem sua base a Frota Russa do Mar Negro.

“Os nossos bloquearam a entrada da unidade com um blindado, e se preparam para sua defesa. Pedem aos jornalistas que informem isto ou que se dirijam ao local”, disse Biloserkovets no Facebook.

Segundo disse ao jornal “Ucrainskaya Pravda”, se trata da unidade de instrução Nº39, onde fizeram como prisioneiro o oficial que ia parlamentar”.

Acrescentou que “em um dos edifícios se declarou um incêndio” e que “um caminhão militar sem distintivos identificáveis tentou entrar na base, mas os nossos o impediram”.

“Os russos que estão no exterior da base se postaram com fuzis automáticos e ameaçam disparar”, acrescentou.

Por sua parte, um porta-voz da Marinha de Guerra ucraniana citado pela imprensa assegurou que todas as bases navais no território da Crimeia “estão sob controle” das forças ucranianas.

Enquanto isso, na capital do país, Kiev, começou uma sessão a portas fechadas para decidir que passos dar perante a intervenção russa na Crimeia e depois que o presidente russo, Vladimir Putin, foi autorizado ontem pelo Senado de seu país a enviar tropas e estabilizar a situação na autonomia da Crimeia.

O deputado do Partido das Regiões (a formação do deposto presidente Viktor Yanukovich), Yuri Mirosnishenko, disse aos jornalistas antes de começar a sessão que o Parlamento adotará seguramente uma resolução para abrir um diálogo.

“Se só colocamos a questão em um formato de guerra, não poderemos começar um diálogo. A lógica da guerra dita a necessidade de lançar ações militares, e isso não resolveria a situação”, comentou.

O deputado assinalou que acabava de retornar da Crimeia onde viu “as pessoas preocupadas”.

Por isso, opinou que o Parlamento poderia adotar uma resolução na qual convoque todas as partes a começar imediatamente um diálogo, e não descartou que se forme um grupo encarregado de começar negociações com Moscou e Crimeia. EFE