Partido Liberal do Canadá expulsa todos os senadores após onda de escândalos

  • Por Agencia EFE
  • 29/01/2014 18h37

Toronto (Canadá), 29 jan (EFE).- O Partido Liberal (PL) do Canadá expulsou nesta quarta-feira todos os seus senadores perante as contínuas polêmicas que salpicam à Câmara Alta do Parlamento canadense e a pressão para reformar ou abolir a instituição.

A radical decisão foi anunciada hoje de forma inesperada pelo líder do PL, Justin Trudeau, aos 32 senadores liberais durante uma reunião no Parlamento. A partir de agora, os senadores serão considerados independentes, não assistirão às reuniões do Partido Liberal e não estarão sujeitos à disciplina do partido.

O resto do Senado canadense está composto por 57 senadores conservadores e sete independentes, enquanto outras nove cadeiras estão vagas.

No Canadá, os senadores são designados pessoalmente pelo primeiro-ministro para representar as dez províncias e três territórios do país e permanecem no posto até que completam 75 anos, quando têm a obrigação de se retirar. A missão do Senado é revisar os projetos de lei aprovados pela Câmara Baixa e é necessária sua aprovação para a entrada em vigor das leis.

Antes de chegar ao poder em 2006, o primeiro-ministro canadense, o conservador Stephen Harper, prometeu não nomear senadores por considerar que, no passado, o sistema só tinha servido para premiar simpatizantes do partido no poder.

Contudo, Harper é agora o primeiro-ministro canadense que mais senadores nomeou (59), todos eles conservadores. Inclusive, em alguns casos, Harper nomeou senadores a candidatos conservadores que perderam sua cadeira na Câmara Baixa.

Três senadores nomeados por Harper (os ex-jornalistas Mike Duffy e Pamela Wallin e o líder indígena Patrick Brazeau) protagonizaram vários escândalos relacionados com a reivindicação fraudulenta de milhares de dólares em despesas. Além disso, vários senadores nomeados pelos liberais no passado também estão envolvidos em outros escândalos.

O Partido Conservador se viu forçado a expulsar os três da legenda, mas no caso de Duffy, as tentativas de encobrir o escândalo custaram o posto ao então chefe de gabinete de Harper, Nigel Wright, que tentou pagar US$90 mil ao senador para que devolvesse o dinheiro cobrado de forma ilegal.

A Polícia Montada Canadense está investigando Wright e Duffy. O escândalo manchou a imagem de Harper, especialmente entre os eleitores conservadores do oeste do país, a base eleitoral do Partido Conservador.

O principal partido da oposição, o social-democrata Novo Partido Democrático (NPD), solicitou a abolição do Senado, ao que se opõem tanto liberais quanto conservadores, mas o Partido Conservador disse que, se o Senado não se reformar considerará sua abolição, o que pode ter profundas implicações constitucionais. EFE