Peña Nieto pede respeito a direitos humanos na Venezuela e elogia Cuba

  • Por Agencia EFE
  • 11/06/2015 19h05

José Antonio Vera e Raúl Cortés.

Bruxelas, 11 jun (EFE).- O presidente do México, Enrique Peña Nieto, se mostrou hoje a favor do “respeito aos direitos humanos” na Venezuela em entrevista à Agência Efe na qual apoiou o reatamento das relações entre Estados Unidos e Cuba, e confessou ter uma relação “pessoal bastante boa e positiva” com os Castro.

Marcando claramente as diferenças entre Venezuela e Cuba, Peña Nieto ressaltou, de entrada, que com a segunda “não há a mesma vizinhança geográfica” que com a primeira.

Depois, ele se referiu às gestões realizadas em Caracas pelo ex-presidente do governo espanhol Felipe González em favor da oposição naquele país, sobre o qual poucas vezes fala.

“Os esforços para que neste país ao qual respeitamos haja pleno respeito ao estado de direito, à democracia, sempre serão sem dúvida bem vistos”, indicou.

No entanto, Peña Nieto também deixou claro que o México atua “em congruência com o que manda” sua Constituição, “de absoluto respeito à livre determinação das nações”.

Por outro lado, com Cuba, seu presidente, Raúl Castro, e seu irmão Fidel, disse ter “uma relação pessoal bastante boa e positiva”, ao lembrar que se reuniu com o primeiro e fez uma “visita de cortesia” ao segundo em uma viagem a Cuba em janeiro de 2014.

Ele anunciou que “aplaude”, “reconhece” e “apoia” o degelo da relação entre a ilha caribenha e os Estados Unidos, e disse que a intenção do México é “coadjuvar” o processo.

Caso se concretize a abertura cubana, ele antecipou que o México “trará investimento” à ilha caribenha em setores nos quais é forte, como o turístico, o portuário e o das comunicações.

Peña Nieto, que está em Bruxelas, onde participou da II Cúpula entre a União Europeia e a Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), realizada ontem e hoje, se mostrou além disso exultante pelo desenvolvimento e o resultado da eleição das eleições intermediárias do último domingo em seu país.

“Me sinto com um ânimo muito renovado a partir deste resultado, por esta reafirmação de nossa própria democracia” e “pelo respaldo conseguido ao projeto que estamos promovendo”, disse Peña Nieto.

Embora tenha sido consultado em várias ocasiões sobre o alcance do processo de investigação sobre os 43 estudantes desaparecidos em setembro do ano passado no estado de Guerrero, o governante ressaltou várias vezes que a alçada corresponde à Procuradoria Geral da República (PGR).

Peña Nieto descartou, além disso, que o papa Francisco possa mediar o conflito aberto pelos protestos dos familiares dos jovens, desaparecidos em uma operação coordenada por autoridades e policiais locais corruptos do estado mexicano de Iguala com o crime organizado.

No entanto, ele antecipou que a questão dos direitos humanos será sua principal “prioridade” na segunda metade de sua gestão (2012-2018), após valorizar o sucesso conseguido por seu governo ao aprovar 12 reformas estruturais em setores-chave como energia, telecomunicações e educação.

Sobre a reforma educativa, causadora de protestos maciços do sindicato de professores, ele disse que “nunca foi contida”, em alusão à suspensão das provas de aptidão aos professores públicos anunciada antes das eleições de domingo e revogada nesta semana após o pleito.

O presidente mexicano argumentou que a suspensão temporária do processo de avaliação obedeceu a “razões de ordem técnica e outras de prudência política”, mas especificou que o plano “não foi alterado nos mínimos detalhes, nem mesmo uma alguma, para realizar as avaliações”.

Peña Nieto defendeu também seu Sistema Nacional Anticorrupção após a aparição de casos como o da filial mexicana da empresa espanhola OHL, gerado após a divulgação de escutas ilegais de ligações telefônicas de seus diretores.

O governante também se referiu à visita de Estado que os reis da Espanha farão ao México de 29 de junho a 1º de julho, que “fortalece e reafirma a relação histórica e sentimental” entre os dois países, declarou.

Esta será a primeira visita de Estado que os reis Felipe e Letizia realizam a um país do continente americano desde a proclamação do monarca espanhol em junho de 2014.

Peña Nieto disse ainda ter “a aceitação” do papa Francisco para visitar o México, mas não está definida a data em que ocorrerá essa visita. EFE

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