Pequenos lojistas estão preocupados com aumento de IPTU em São Paulo

  • Por Jovem Pan
  • 30/11/2014 08h16

A alta de até 35% do IPTU do comércio de São Paulo pode provocar demissões, mudança de endereço e até fechamento de lojas. O setor de serviços revela que a informação caiu como uma bomba em virtude da queda no movimento e da pressão dos custos fixos. O ano deve encerrar como um dos piores da história, para o desespero de quem espera outros reajustes, como luz, gasolina e impostos.

A repórter JOVEM PAN Renata Perobelli ouviu lojistas de diversos segmentos que estão preocupados com o carnê de imposto predial. “Isso a gente não consegue transferir pro cliente senão onera muito os valores dos serviços e infelizmente vamos ter que demitir, não conseguimos manter a empresa assim, então alguém vai ter que ser demitido”, afirmou uma delas.

Segundo a Associação Comercial de São Paulo, há um grande número de empresários com dificuldade para manter seus negócios. O diretor da entidade, Marcel Solimeo, explica que as vendas já estão em baixa e que o aumento do IPTU só vai agravar a situação. “Isso pode provocar o fechamento de muitas empresas, algumas indo para lugares mais baratos, outras fechando em definitivo. Uma situação que já não é boa e que se prevê que 2015 vai ser também fraco, acho que não é uma medida inteligente”.

O economista da fundação Getúlio Vargas, Samy Dama, chama a atenção para a dificuldade que os gestores menores podem enfrentar. O consultor da Jovem Pan destaca que o comércio de pequeno porte corre mais risco de não resistir ao mercado. “Muitas vezes tem aqueles negócios pequenos, às vezes um restaurante pequeno, por quilo, ou uma lojinha de doce, barbearia, cabeleireiro, e aí significa muito, porque você acaba pagando muito menos o produto ou serviço em si, mas sim essa estrutura fixa”. 

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou que o comércio terá tempo para se adaptar ao aumento do IPTU. Ele destacou que o reajuste será diluido nos próximos quatro anos, e que os impactos para os empresários serão minimizados. O prefeito acha difícil que o reajuste seja novamente barrado na Justiça, apesar da promessa da FIESP e do PSDB de recorrerem da decisão. Haddad afirmou que os R$800 milhões a mais na arrecadação serão destinados para investimentos na saúde e na educação.