Pesquisa da UNESP conclui que noroeste paulista é ‘a casa do Aedes’

  • Por Estadão Conteúdo
  • 27/05/2016 08h56
Mosquito Aedes albopictus - WIKI

O mosquito Aedes aegypti, transmissor de dengue, chikungunya e zika, espalhou-se por São Paulo a partir de um triângulo formado pelas cidades de Araçatuba, São José do Rio Preto e Ribeirão Preto, na região noroeste do estado. 

Nos anos 1990, essa era a principal área de permanência do mosquito em São Paulo, segundo estudo do Departamento de Geografia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), baseado em Presidente Prudente. Em seguida, o mosquito ocupou as áreas urbanas da região metropolitana de Campinas e da Baixada Santista, encontrando condições ideais para sua proliferação.

O transmissor, no entanto, ainda mantém alta incidência no noroeste do Estado. “É onde o mosquito se sente em casa”, diz o pesquisador Rafael de Castro Catão, autor do estudo. 

O trabalho, que compõe sua tese de doutorado, indica ainda as regiões onde o mosquito conseguiu menor penetração, como o sul paulista, incluindo o Vale do Ribeira, as cidades das encostas da Mantiqueira, como Bragança Paulista, Atibaia e Campos do Jordão e a região da Serra do Mar.

As áreas em que o inseto melhor se adaptou ao ambiente não são, necessariamente, aquelas com maior número de casos das doenças, segundo a pesquisa. Diferentemente do que aconteceu com o vetor, a doença se difundiu por saltos em que a hierarquia urbana, associada às características ambientais como temperatura e altitude, orientaram a difusão.

“Cidades de porte maior do interior do Estado e em áreas com temperatura e altitude favoráveis, receberam a doença antes da sua região de entorno e a espalharam na sua rede mais próxima”, explica.

Catão analisou o movimento da dengue, associado à intensidade dos casos e constatou que o mosquito ocupou primeiro as áreas mais propícias e depois se espalhou para locais de maior população rural, maiores altitudes e menores temperaturas, condições estas consideradas menos favoráveis para difundir a espécie.

O mapeamento começou a ser feito em 1990 através de registros dos casos nos centros de saúde e notificação compulsória consolidados, pouco a pouco, em todos os municípios paulistas.

O levantamento levou em conta apenas casos confirmados. “Mapeamos o número de ocorrências por cidade e, posteriormente, analisamos a taxa de incidência por 100 mil habitantes. Para o Aedes aegypti, usamos dados municipais da Sucen (Superintendência de Controle de Endemias) desde a aparição do mosquito”.

Mapeamento

Catão usou técnicas de mapeamento espaço-temporal para entender a direção, velocidade e o processo de difusão do transmissor. “Os mapas possibilitam o cruzamento com mais variáveis como clima, densidade geográfica, proximidade de rodovias, população urbana etc.. Esses critérios nos permitiram visualizar padrões espaciais e possíveis respostas no tocante à intensidade e à difusão”.

As cidades de Bauru e Marília, no centro-oeste, além da região do Vale do Paraíba, apesar de serem de difusão recente da epidemia, apresentam alta incidência que pode ser explicada tanto pela maior adaptabilidade do vetor quanto pela falta de ações de controle.

A Grande São Paulo, apesar de ter grande número de casos, não registra alta incidência por causa da densidade populacional. Até 2012, último ano analisado, poucos municípios paulistas não possuíam a espécie, mas vários ainda não apresentavam a doença por causa das condições menos propícias.