Piauí confirma 12 casos de microcefalia e sobem para 243 os eventos no nordeste

  • Por Agência Estado
  • 13/11/2015 13h53
RECIFE,PE,13.11.2015:CASOS-MICROCEFALIA - Secretaria Estadual de Saúde decreta estado de emergência em Pernambuco devido ao alto número de casos de microcefalia. Pernambuco registrou, neste ano, 141 casos de bebês nascidos com microcefalia, uma condição rara em que o bebê nasce com o crânio do tamanho menor do que o normal. O número disparou em 2015 e o caso vem sendo investigado pela SES, em conjunto com o Ministério da Saúde e da Organização Pan-americana de Saúde, para entender o que causou o aumento. (Foto: Marlon Costa/Futura Press/Folhapress)A Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco

Mais um Estado relata aumento súbito de nascimentos de bebês com microcefalia. A Secretaria de Saúde do Piauí informou na manhã desta sexta-feira, 13, ter registrado nas últimas três semanas 10 casos entre recém-nascidos e dois intrauterinos. Outros quatro seguem em investigação. Com isso, sobe para 243 o número de notificações da má-formação que, até hoje, era considerada um evento raro na pediatria.

Crianças com o problema apresentam uma circunferência cefálica menor do que a média e podem ter deficiência mental, motora, problemas de visão e audição. A maior parte dos casos está concentrada em Pernambuco (141 casos), seguido por Sergipe (49), Rio Grande do Norte (22) e Paraíba (9).

Em todos esses Estados, o aumento do número de casos de microcefalia está muito acima da média histórica. No Piauí, foram registrados durante todo o ano de 2013 quatro casos. No ano passado, foram seis casos.

O Ministério da Saúde decretou quarta-feira, 11, estado de emergência sanitária nacional. A decisão foi tomada baseando-se apenas nos dados de Pernambuco. Desde então, o número de notificações subiu de 141 para 243. Até agora não são conhecidas as causas do aumento do número de casos.

Suspeitas

Investigações preliminares indicam apenas que a maior parte das mães dos bebês com malformação apresentaram, durante os primeiros meses de gestação, febre baixa, coceira e vermelhidão. Os sintomas são semelhantes ao provocados pela infecção por zika vírus, uma doença que chegou neste ano ao Brasil e que afetou sobretudo Estados do Nordeste.

Técnicos do Ministério da Saúde reconhecem que essa é a principal suspeita. Isso porque o período de surto da doença, ocorrido no início do ano, coincide com o provável período de infecção dos bebês. Há outras causas que estão sendo investigadas. Entre elas, infecção durante a gestação por toxoplasmose, citomegalovírus, sífilis e herpes.

No entanto, exames feitos até agora não indicam que grávidas ou bebês tenham sido contaminados por esses agentes.

A Secretaria de Saúde do Piauí anunciou que vai montar uma comissão para investigação dos casos, preparar um plano de ação e um protocolo para atendimento dos bebês. Em Pernambuco, o primeiro Estado a identificar um aumento súbito de casos, o protocolo para diagnóstico foi lançado nesta semana. Tanto em Pernambuco quanto no Rio Grande do Norte um protocolo de atendimento para bebês e gestantes foi preparado.

“Esses bebês precisam de cuidados específicos. Poucos profissionais têm hoje preparo para prestá-los”, afirmou o professor do Instituto de Medicina Tropical do Rio Grande do Norte Kleber Luz. Ele afirma que, em seu Estado, cerca de 80% das mães de bebês com microcefalia apresentaram sintomas semelhantes aos de zika.

No Rio Grande do Norte, o número de casos contabilizados neste ano é 11 vezes maior do que o apresentado em 2012. A maior parte dos nascimentos ocorreu depois de agosto.