Polícia de MG pede prisão de presidente licenciado da Samarco e mais 6 por tragédia em Mariana

  • Por Jovem Pan
  • 23/02/2016 15h22
Distrito de Bento Rodrigues foi atingido pela lama após rompimento de duas barragens de rejeitos da SamarcoLama atinge distrito de Bento Rodrigues

A Polícia Civil divulgou nesta terça-feira (23) o resultado do inquérito sobre o rompimento da barragem de Fundão da mineradora Samarco. Em sessão da Comissão de Barragens da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, a Polícia Civil afirmou que entrou com representação junto à Justiça para um pedido de prisão preventiva de sete pessoas. Seis deles funcionários da Samarco e um da consultoria VogBR, por decorrência das mortes após o acidente.

O inquérito da Polícia Civil trata da apuração de 19 homicídios e possui 13 volumes, 2432 páginas e cerca de 100 oitivas.

O presidente licenciado, Ricardo Vescovi; Kléber Terra, diretor-geral de Operações; Germano Lopes, gerente-geral de Projetos; Wagner Alves, gerente de Operações; Wanderson Silvério, coordenador técnico de Planejamento e Monitoramento, e Daviely Rodrigues, gerente, foram indiciados e têm o pedido de mandado de prisão feito pela Polícia. O engenheiro da VogBR, Samuel Paes Lourdes também consta nesta lista.

Segundo a Polícia, a causa do rompimento da barragem no dia 05 de novembro do ano passado foi o acúmulo de água. Foi explicado que houve elevada saturação de rejeitos arenosos depositados na barragem, falha em monitoramento de equipamentos com defeito, número reduzido dos equipamentos de monitoramento, uma alta taxa de alteamento anual da barragem de Fundão, além do assoreamento do dique 02 e a deficiência do sistema de drenagem.

Para a chefe da Polícia Civil de Minas Gerais, Andreia Cláudia Vachiano, os crimes cometidos foram de 19 homicídios qualificados. De acordo com a Polícia, os 17 corpos resgatados e as duas pessoas que permanecem desparecidas são consideradas vítimas de homicídio.

Responsável pelo inquérito do rompimento da barragem, o delegado Rodrigo Bustamante afirmou que este foi o “maior desastre ambiental da história do País”. Aberto um dia após o rompimento, o inquérito teve investigação que durou por três meses.

O perito Otavio Guerra Terceiro ressaltou que a causa do rompimento da barragem foi o colapso da estrutura devido ao acúmulo de água. Segundo ele, a barragem de Fundão tinha 761 metros de comprimento de crista, sete metros de largura e 110 metros de altura, com 55 milhões de metros cúbicos de volume no dia em que se rompeu.