Polícia entra em penitenciária de Natal e dá fim a rebelião com mortos

  • Por Jovem Pan
  • 15/01/2017 09h07
Penitenciária Estadual de Alcaçuz

Policiais da tropa de choque deram fim na manhã deste domingo (15) à rebelião na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, em Nísia Floresta, cidade localizada na grande Natal, capital do Rio Grande do Norte. Segundo o governo, ao menos 10 pessoas foram mortas em uma briga entre gangues que atuavam dentro da cadeia. Cabeças de três pessoas foram jogadas para a área externa do presídio durante o motim.

A secretaria de segurança do Estado garante que não houve troca de tiros entre policiais da tropa de choque e os presidiários. Vans e veículos blindados da polícia entraram na unidade entre 5h30 e 6h50. Bombas de efeito moral foram ouvidas e fumaça, notada do lado de fora da cadeia.

A rebelião começou por volta das 17h no horário local (18h, de Brasília) deste sábado (14), quando detentos tentaram invadir outro setor da penitenciária. Ou seja, foram cerca de 14 horas de rebelião sem controle do Estado dentro dos pavilhões amotinados. As repartições do edifício são controladas por facções, especialmente a Sindicato do Crime do RN e o PCC, Primeiro Comando da Capital. Presos do pavilhão 5, o Presídio Rogério Madruga Coutinho, que seria controlado pelo PCC, invadiram o pavilhão 4 para matar rivais. De acordo com o governo, o levante não atingiu os pavilhões 1, 2 e 3 da penitenciária.

Em Alcaçuz a capacidade é para 620 detentos, mas segundo a Sejuc, cerca de 1.083 estão presos em regime fechado. A Penitenciária de Alcaçuz é considerada a maior unidade prisional do estado. Ela é formada por cinco pavilhões e tem 5.900 m² de área construída.

Após o início do motim, foram deslocados para Alcaçuz equipes dos batalhões de Operações Especiais da Polícia Militar e de Choque, além de várias viaturas de apoio, que aguardaram por horas do lado de fora do presídio. Familiares de detentos tentaram furar o cordão policial e, desesperados, pediam ajuda. Eles alegavam que seus parentes, mesmo não envolvidos na briga de facções, pediam socorro de dentro das celas, acenando panos brancos, por paz.

O secretário de Segurança Pública e Defesa Social do Rio Grande do Norte, Caio César Bezerra, garante que a polícia se esforçou “para manter a separação e evitar o conflito entre os pavilhões onde houve o problema e a rivalidade entre esses grupos criminosos” a fim de evitar novas mortes”.

O Rio Grande do norte enfrenta uma crise prisional desde março de 2015, quando se deu uma onda de rebeliões. O Estado nordestino já gastou R$ 7, 3 milhões dos R$ 15 milhões destinados à recuperação das unidades prisionais depredadas. As reformas deveriam ter ocorrido até outubro de 2016.

Fuga na Bahia

Em duas cadeias da Bahia, também no nordeste brasileiro, ao menos 38 detentos fugiram de sexta (13) para sábado (14).

Na madrugada de sexta, um grupo de 17 detentos serrou as grades de uma cela e fugiu do Complexo Penitenciário de Mata Escura, em Salvador.

Segundo o Sindicato dos Agentes Penitenciários do Estado, todos os 17 presos fazem parte de uma mesma facção criminosa. Eles também atribuíram a fuga à superlotação da unidade e falta de segurança no local. A unidade prisional tem capacidade para 808 presos, mas, no momento da fuga, estava com 1.227

Na noite de sexta-feira, por volta das 23h30, 21 presos fugiram da 4ª Coordenadoria de Polícia Civil do Interior (Coorpin), de Santo Antônio de Jesus, a cerca de 185 quilômetros da capital baiana. O local tem capacidade para 6 presos, mas 21 estavam na unidade e todos fugiram.

Com informações de Agência Brasil e Estadão Conteúdo