Policiais que baterem viatura farão patrulhamento a pé

  • Por Estadão Conteúdo
  • 07/07/2016 11h42
Polícia viatura

O coronel Washington Luiz Gonçalves Pestana, comandante do Comando de Policiamento da Capital (CPAM-11) determinou que policiais militares que se envolverem em acidentes de trânsito com as viaturas, mesmo em perseguição a suspeitos, passarão a fazer policiamento a pé por tempo indeterminado. Oficiais ouvidos pela reportagem dizem que a medida incentiva que o policial deixe um criminoso fugir para não correr o risco de ser punido.

A reportagem teve acesso ao ofício do coronel, que foi encaminhado para os comandos do 8º, 21º e 51º batalhões, responsáveis pelo policiamento dos bairros do Tatuapé, Móoca e Cangaíba, todos na zona leste. O texto traz três recomendações: na primeira, constam procedimentos básicos da PM, como preservação do local e a busca por provas que esclareçam os fatos.

Nas duas últimas, o coronel Pestana diz aos comandantes dos batalhões citados para “escalar os policiais militares envolvidos, no próximo serviço, no policiamento ostensivo a pé, no horário de expediente administrativo e permanecendo nesta escala até ordem em contrário, no primeiro dia últil subsequente aos fatos , comunicar o ocorrido bem como as providências adotadas para conhecimento deste comandante”.

Policiais, que pediram para não se identificar por temer represálias, disseram à reportagem que, agora, a tendência pode ser deixar de fazer a perseguição a suspeitos, “o risco de bater a viatura existe”, afirmou um PM.

Especialista em segurança, o coronel José Vicente da Silva defende as medidas. Segundo o militar, há normas na corporação que recomendam que a perseguição deve ser exceção, “a ideia é sempre montar um cerco para prender o bandido. Perseguição, somente com autorização da central de comando”.

Silva considera que, se a fuga do criminoso for uma opção de menor risco para o policial e também às pessoas que estão próximas, esta deve ser adotada, “o importante é que o método de abordagem passe sempre por treinamento”.

Em nota, a Polícia Militar declarou que a “medida não foi tomada para punir policiais que se envolvam em acidentes”, pois “trata-se de uma adequação do efetivo às novas condições, uma vez que a viatura será retirada das ruas para reparo, cabendo esclarecer que, em todo acidente envolvendo viaturas, é aberta sindicância para apuração de responsabilidade pelo órgão”, acrescentou.