‘Alteração da bula da cloroquina foi defendida por Nise Yamaguchi’, diz Barra Torres; veja como foi

Médica é uma conselheira informal do presidente Jair Bolsonaro; à CPI, diretor-presidente da Anvisa confirmou que participou de reunião que discutiu uso do medicamento contra a Covid

  • Por Jovem Pan
  • 11/05/2021 10h22 - Atualizado em 11/05/2021 16h49
Pedro França/Agência SenadoBarra Torres é o quarto depoente a falar à CPI da Covid-19

A CPI da Covid-19 ouve, nesta terça-feira, 11, o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres. O depoimento do contra-almirante estava inicialmente marcado para a tarde da última quinta-feira, 6, mas foi adiado porque a audiência com o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, se estendeu por todo o dia. Barra Torres é o quarto depoente a falar à comissão, instalada para apurar as ações e omissões do governo do presidente Jair Bolsonaro no combate à pandemia do novo coronavírus. Assim como os depoentes da semana passada, o diretor-presidente da agência reguladora falará na condição de testemunha – neste caso, é obrigado a dizer a verdade e não pode ficar calado diante das perguntas.

Como a Jovem Pan mostrou, os membros da CPI devem focar suas perguntas em três pontos específicos: quais os motivos da não liberação para a importação da Sputnik V, a vacina russa contra a Covid-19, o que tem sido feito pela Anvisa para agilizar a aquisição de outros imunizantes para o país, e quem teve a ideia de alterar a bula da hidroxicloroquina, a fim de que fosse incluída a previsão de uso do medicamento no tratamento da Covid-19. Em seu depoimento à CPI, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta afirmou que participou de uma reunião no Palácio do Planalto, na qual viu a minuta de um decreto presidencial que previa esta mudança – a proposta, segundo Mandetta, foi vetada por Barra Torres. Veja como foi: 

16:39 – Omar Aziz encerra a sessão desta terça-feira 

O presidente da CPI da Covid-19, Omar Aziz (PSD-AM), encerrou a sessão desta terça-feira, 11. A próxima reunião ocorrerá nesta quarta-feira, 12, às 09h30. Será ouvido o ex-chefe da Secom Fabio Wajngarten.


15:59 – ‘O senhor acredita que os técnicos da Anvisa sabem mais que os outros países que aprovaram a Sputnik V?’, questiona senadora 

A senadora Rose de Freitas (MDB-ES) foi mais uma inscrita a questionar o diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, sobre a decisão de barrar a importação da vacina russa Sputnik V. “O senhor acredita que os técnicos da Anvisa sabem mais que os outros países que aprovaram o imunizante?”, disse. “São somente 600 páginas somente sobre o vírus replicante. Lá está bem demonstrado a presença diferente de zero. Vacina não é para ter vírus replicante, tem que ser zero. Os dados que estão demonstrados nos documentos dos próprios russos mostram números superior, número diferente de zero. Essa é a colocação”, rebateu Barra Torres.


15:20 – Suplente da CPI pede que Anvisa autorize importação da Sputnik V ‘de hoje para amanhã’

O senador Angelo Coronel (PSD-BA), suplente da CPI da Covid-19, pediu ao diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, que a agência reguladora se reúna para deliberar sobre a importação da vacina russa Sputnik V “de hoje para amanhã”. “Não podemos mais esperar, quando a gente vê uma fonte de suprimento das nossas necessidades de importação, por questões burocráticas. Queria fazer esse apelo ao senhor: se reúna com seus técnicos, para ver se a Anvisa dá essa autorização, de hoje para amanhã, para que esse lote de vacinas da Sputnik V possa ser importado. Se o ser humano lá na Argentina usa e não está tendo problema, não vejo porque não usar no Brasil. Até porque há uma lei que reveste a Anvisa de subsídio até para se resguardar dessa autorização de importação”, disse o parlamentar. Ele se refere à lei 14.424, de março de 2021, que dispõe sobre as medidas excepcionais relativas à aquisição de vacinas e de insumos.


15:04 – Randolfe Rodrigues retoma os trabalhos da CPI 

Após um breve intervalo, vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), retomou a sessão desta terça-feira, 11. Fala, agora, o senador Angelo Coronel (PSD-BA), suplente da comissão.


14:44 – Sessão é suspensa por 20 minutos 

O presidente da CPI da Covid, Omar Aziz (PSD-AM), suspendeu a sessão por 20 minutos.


13:20 – ‘Se Vossa Excelência não tivesse mandato, não continuaria no cargo a partir de amanhã’, diz petista

Diante do posicionamento adotado por Barra Torres em seu depoimento, criticando aglomerações e declarações feitas pelo presidente Jair Bolsonaro contra a vacinação, o senador Humberto Costa (PT-PE) fez uma provocação: “Se Vossa Excelência não tivesse mandato, não continuaria no cargo a partir de amanhã”. O diretor-presidente tem mandato de cinco anos.


12:52 – ‘Sou contra qualquer tipo de aglomeração’

Questionado pela senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) sobre o passeio de moto do presidente Jair Bolsonaro no domingo do Dia das Mães, o diretor-presidente Jair Bolsonaro foi taxativo: “Sou contra qualquer tipo de aglomeração”. “Não concordo. Qualquer coisa que fale de aglomeração, não usar álcool, não usar máscara e negar a vacina, são coisas que não têm nenhum sentido do ponto de vista sanitário”, disse.


12:39 – ‘Não há nada pior que o ministro da Saúde ter outras pessoas dando opiniões que nem sempre são as mesmas’, diz Barra Torres. 

O diretor-presidente da Anvisa voltou a dizer que o principais assessores do presidente da República devem ser seus ministros. “Eu entendo que o assessor do presidente para assuntos de saúde é o ministro”, afirmou. Na sequência, Barra Torres destaca que não há “nada pior que o fato de o assessor ter outras pessoas orbitando e dando opiniões que nem sempre são as mesmas. Isso só aumenta o grau confusional e leva à problemas administrativos sérios”.


12:35 – Barra Torres: ‘Doutora Nise Yamaguchi fez uma proposta absurda’

O diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, voltou a citar a reunião no Palácio do Planalto na qual a médica Nise Yamaguchi defendeu a alteração da bula da cloroquina, para que o medicamento fosse indicado para o tratamento da Covid-19. “Ela fez uma proposta absurda”, avaliou.


12:17 – ‘Conduta do presidente sobre uso de máscaras difere da minha’, diz Barra Torres

“Destarte a amizade que tenho pelo presidente, a conduta do presidente difere da minha nesse sentido [ do uso de máscaras]. As manifestações que faço têm sido todas no sentido do que a ciência determina”, disse. Barra Torres ainda citou um episódio recente, no qual participou de uma live semanal do presidente Jair Bolsonaro e esteve de máscara o tempo todo, e foi elogiado pela imprensa pela postura.


11:58 – ‘Declarações de Bolsonaro vão contra tudo o que preconizamos’, afirma o presidente da Anvisa

Questionado sobre as declarações do presidente Jair Bolsonaro contra a vacinação, o diretor-presidente da Anvisa disse que as falas vão “contra tudo o que temos preconizado em todas as manifestações públicos que tenho feito”. Sem citar o nome do chefe do Executivo federal, acrescentou que, “ao contrário do que o senhor acabou de ler, acreditamos que a política de vacinação é essencial”.  “Discordar de vacina e falar contra a vacina não guarda razoabilidade histórica. Vacina é essencial”, prosseguiu.


11:44 – Alteração da bula da cloroquina foi proposta pela doutora Nise Yamaguchi, diz Barra Torres

O diretor-presidente da Anvisa confirmou a informação dada pelo ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta à CPI da Covid-19 de que houve uma reunião no Palácio do Planalto na qual foi feita a defesa da alteração da bula da hidroxicloroquina, a fim de que o medicamento fosse recomendado para o tratamento da doença. Segundo Barra Torres, a mudança foi defendida pela doutora Nise Yamaguchi, defensora do fármaco. “Me recordo [dessa reunião no Palácio]. Confirmo que estávamos o Braga Netto, da Casa Civil, o ministro Mandetta, eu, a doutora Nise Yamaguchi e um médico do qual não me recordo o nome. Realmente não tenho em minha memória as presenças dos ministros Jorge Oliveira e Luiz Eduardo Ramos”, disse. “Esse documento foi comentado pela doutora Nise Yamaguchi, o que provocou uma reação, confesso, um pouco deselegante. A minha reação foi muito imediata, de dizer que aquilo não poderia ocorrer. Só quem pode modificar uma bula de um medicamento registrado é a agência reguladora daquele país, desde que solicitado pelo detentor do registro”, revelou. “Quando houve uma proposta de uma pessoa física de fazer isso, me causou uma reação brusca”, acrescentou.


11:27 – Análises da Anvisa são baseadas em documentos, explica o diretor-presidente da Anvisa

Barra Torres esclareceu que a Anvisa não faz a análise laboratorial das vacinas. “Não pegamos vacina e colocamos no microscópio para analisar. A análise é feita através dos documentos apresentados pelos próprios desenvolvedores [da vacina], que, em sendo partícipes dos mais elevados fóruns regulatórios internacionais, seguem um regramento que permite a confiabilidade”, disse.


11:23 – ‘Agentes públicos têm cobrado a aprovação do uso emergencial da Sputnik V’, diz Barra Torres

“Para a aprovação da Sputnik V, a pressão que existe é essa que está na mídia. Temos assistido os telejornais em que os agentes públicos têm cobrado, têm efetuado gestões, inclusive judiciais, temos vários acionamentos no STF em relação, não só a essa vacina, mas como em relação a outras. É lógico que isso exerce pressão. A pressão que vejo é essa, é ostensiva e pública”, afirmou o diretor-presidente da Anvisa.


11:20 – Barra Torres: ‘Análise para uso da Sputnik V está parada para que União Química apresente documentos’

O diretor-presidente da Anvisa afirmou que a análise para o uso emergencial da vacina russa Sputnik V está “parada” para que a União Química, representante do imunizante no Brasil, “forneça informações”. “A autorização de uso emergencial da Sputnik V encontra-se em análise na agência através da submissão de documentos pela empresa União Química. Estamos em um ponto em que essa análise encontra-se parada para que a União Química forneça informações. Quanto ao uso [emergencial], este é o status atual”, disse.


11:11 – ‘Não houve pressão para a aprovação da Covaxin’, diz diretor-presidente da Anvisa

Barra Torres disse que não houve pressão de “autoridades federais” para a aprovação da vacina Covaxin, procedimento que foi negado pela Anvisa. O Ministério da Saúde comprou 20 milhões de doses do imunizante junto à Precisa Medicamentos, representante do laboratório indiano Bharat Biotech no Brasil.


11:04 – ‘Conclamo a população que acredite e confie nas vacinas aprovadas pela Anvisa’, afirma Barra Torres

O diretor-presidente da Anvisa fez um apelo há pouco, ao responder um questionamento do senador Renan Calheiros (MDB-AL) sobre a aprovação de vacinas. “Conclamo a população que acredite e confie nas vacinas aprovadas pela Anvisa”, afirmou.


10:58 – ‘Temos visto esse problema pontual na demora para a entrega do IFA’, diz Barra Torres

Questionado pelo relator da CPI, Renan Calheiros, se o Brasil enfrenta obstáculos para o recebimento de insumos ou medicamentos vindos da China, o diretor-presidente da Anvisa afirmou que o país tem visto “esse problema pontual na demora para a entrega do IFA para a produção da CoronaVac e da AstraZeneca”. “No mundo, hoje em dia, temos dois grandes países que detém a primazia da produção do IFA: Índia e China. Esses países acabam influenciando um percentual da produção de medicamentos no mundo. No transcurso da pandemia, observamos essa dificuldade, momentos em que o IFA demora um pouco a chegar. O impacto deles na produção de medicamentos, praticamente do mundo todo, é imenso”, disse. O emedebista indagou Barra Torres se essa demora é causada por declarações do presidente Jair Bolsonaro contra a China. “Não tenho informação do nexo causal”, respondeu o diretor da Anvisa.


10:54 – Renan Calheiros faz as primeiras perguntas ao presidente da Anvisa

O senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI da Covid-19, faz suas primeiras perguntas ao diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres.


10:52 – Barra Torres inicia sua exposição oral 

O diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, inicia sua exposição oral. Ele terá 10 minutos em sua fala inicial, antes das primeiras perguntas que serão feitas pelo relator, Renan Calheiros (MDB-AL).


10:43 – Alessandro Vieira pede redução no tempo de fala dos senadores 

Visando otimizar o tempo das sessões, o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) propôs que o presidente da CPI da Covid-19, Omar Aziz (PSD-AM), diminuísse de 15 para 12 minutos o tempo dado aos integrantes da comissão para a elaboração de perguntas aos depoentes. Além disso, Vieira pediu que as sessões sejam antecipadas para às 09h – atualmente, as reuniões são iniciadas às 10h.


10:35 – Governista diz que oposição quer ‘blindagem’ de prefeitos e governistas 

O senador Marcos Rogério (DEM-RO), um dos integrantes da tropa de choque governista na CPI, afirmou que a oposição quer criar uma “blindagem” de prefeitos e governadores. “Estou começando a entender que o grande problema do enfrentamento à pandmeia começa a ser o papel de alguns integrantes dessa CPI, quando busca tirar o ministro da Saúde de sua função, do enfrentamento aos problemas reais do Brasil, para colocá-lo aqui de castigo, das 10h às 20h. Não bastasse fazer isso na semana passada, agora vir com essa hipótese [de reconvocá-lo]”, disse. “É preciso seguir o caminho do dinheiro, olhar para os indícios, as operações da Polícia Federal nos Estados. Está claro que a intenção da oposição é impedir que sejam investigados atos de corrupção. Isso não podemos aceitar”, acrescentou.


10:31 – Senadores petistas apresentam requerimento para reconvocação do ministro da Saúde

No início da sessão, o senador Humberto Costa (PT-PE) afirmou que apresentou requerimento, assinado conjuntamente pelo senador Rogério Carvalho (PT-SE), pedindo a reconvocação do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Costa afirmou que o titular da pasta omitiu informações e, por isso, deve ser ouvido novamente.


10:22 – Omar Aziz abre a sessão desta terça-feira

O presidente da CPI da Covid-19, Omar Aziz (PSD-AM), deu início aos trabalhos desta terça-feira, 11. Será ouvido pelos senadores o diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres.