Araújo diz que pré-candidatura de Doria é ‘legítima’, mas pede ‘maturidade’ para compreensão das ‘dificuldades políticas’

Presidente do PSDB alega que sigla tucana busca unidade e que possível judicialização por parte do ex-governador de São Paulo configura-se como ‘antipolítica’

  • Por Jovem Pan
  • 17/05/2022 21h06 - Atualizado em 17/05/2022 21h32
Marcelo Camargo/Agência Brasil bruno araujo Bruno Araújo, presidente do PSDB, afirmou que a prioridade do partido é manter a sua unidade

A cúpula do PSDB elevou a pressão para que o ex-governador de São Paulo João Doria abra mão de sua pré-candidatura à Presidência da República. A maior parte da Executiva Nacional da sigla, reunida nesta terça-feira, 17, defendeu que a postulação de Doria não é viável e prejudica o partido. Depois da reunião, o presidente nacional da legenda, Bruno Araújo, disse, em coletiva de imprensa, que a candidatura do correligionário, com quem rompeu nas últimas semanas, é “legítima”, mas pediu “maturidade” para compreensão das “dificuldades políticas” enfrentadas pelo tucanato. O dirigente partidário também pregou “unidade” entre os tucanos, rachados desde as prévias. A cúpula do tucanato quer se reunir com Doria nesta quarta-feira, 18, para que parlamentares e candidatos a governadores externem a avaliação de que insistir nesta empreitada será inviável. “Não há nenhum sentido de qualquer definição que não tenha participação direta, construção política e autoridade do nosso pré-candidato. Tenho confiança que política vai ajudar a construir um entendimento para que nós possamos buscar um resultado junto aos partidos”, afirmou Araújo.

O deputado federal Aécio Neves (MG), desafeto político de Doria, disse a jornalistas, ao deixar a reunião, que os dirigentes tucanos esperam um “gesto de grandeza” do ex-governador de São Paulo. Em outras palavras, o mineiro afirmou que o partido espera que o paulista desista de concorrer à sucessão do presidente Jair Bolsonaro (PL). “Não é demérito nenhum você não conseguir consolidar ou construir uma candidatura, quantos viveram esse processo? Acho que as palavras muito claras, sobretudo dos candidatos a governador e de parlamentares aqui hoje no sentido de que, dado esse tempo, a candidatura de João Doria não se mostrou viável”, disse Neves, que representou o PSDB nas eleições presidenciais de 2014 – ele foi derrotado por Dilma Rousseff (PT). “Se a candidatura se mostra inviável, que possa o próprio candidato fazer uma reavaliação e, quem sabe, permitir ao PSDB continuar apresentando ao Brasil um projeto viável”, acrescentou. Um detalhe não passou despercebido: Aécio estava posicionado em frente a um quadro, na sede do PSDB em Brasília, com os dizeres “O Brasil tem jeito. O jeito é Doria”.

Na coletiva da noite desta terça, Bruno Araújo também afirmou que a apresentação da pesquisa contratada por PSDB, MDB e Cidadania para a escolha do candidato da chamada terceira via está mantida para esta quarta-feira, 18. Não haverá, porém, de acordo com o presidente tucano, a definição de quem será o representante do bloco, que tenta viabilizar uma candidatura capaz de se contrapor à polarização entre Lula e Bolsonaro. Araújo minimizou o adiamento na definição do nome. “O deadline (limite no prazo) de calendário eleitoral que não tem como passar é o dia da eleição. Quem perder o dia da eleição, perde a eleição. Política se constrói com o que é possível. O calendário é o que a construção política permite”, disse. Questionado sobre a possibilidade de Doria judicializar a questão, caso as três siglas optem pela candidatura da senadora Simone Tebet (MDB-MS), o dirigente tucano disse que a atitude seria um gesto da “antipolítica”. “O normal na política é judicializar contra o adversário. Um partido judicializa contra o outro. O perdedor judicializa contra o ganhador. O processo de judicialização interna é uma antipolítica”, concluiu.