Bolsonaro pede para ‘não correr’ com vacina e defende tratamento com cloroquina 

Presidente da República também disse que juiz não pode decidir sobre obrigatoriedade da vacina: ‘É uma questão de saúde acima de tudo’, disse a apoiadores na saída do Palácio da Alvorada

  • Por Jovem Pan
  • 26/10/2020 12h11
Carolina Antunes/PRVacina: 'Não sei por que correr', disse Bolsonaro nesta segunda-feira, 26

O presidente Jair Bolsonaro disse a apoiadores, na manhã desta segunda-feira, 26, que não se deve “correr” para produzir a vacina contra o novo coronavírus e defendeu o tratamento com hidroxicloroquina, medicamento que não tem eficácia contra a doença. “O que a gente tem que fazer aqui é não querer correr, não querer atropelar, não querer comprar dessa ou daquela sem nenhuma comprovação ainda. A gente aguarda, para melhor poder falar sobre esse assunto, a publicação disso em uma revista científica. Agora, pelo o que tudo indica, todo mundo diz que a vacina que menos demorou até hoje foram quatro anos. Eu não sei por que correr em cima dessa”, afirmou na saída do Palácio da Alvorada. “Eu dou minha opinião pessoal. Não é mais barato e fácil investir na cura do que na vacina? Ou jogar nas duas, mas também não esquecer a cura. Eu, por exemplo, sou um testemunho. Eu tomei a hidroxicloroquina, outros tomaram ivermectina, outros tomaram Annita [nitazoxanida], e deu certo”, acrescentou.

Aos apoiadores, Bolsonaro também se manifestou sobre a declaração do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Fux, de que será necessário o Judiciário decidir sobre a vacinação no país. “Podem escrever, haverá uma judicialização, que eu acho que é necessária, que é essa questão da vacinação. Não só a liberdade individual, como também os pré-requisitos para se adotar uma vacina”, disse Fux na sexta-feira, 23. Também na sexta, o ministro Ricardo Lewandowski remeteu ao plenário a análise de três ações sobre o tema – Lewandowski também requereu a manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Advocacia-Geral da União (AGU). Para o presidente da República, um juiz não deve decidir sobre a obrigatoriedade da vacinação. “Entendo que isso não é questão de Justiça, é uma questão de saúde acima de tudo. Não pode um juiz decidir se você vai ou não tomar a vacina. Isso não existe. Queremos é buscar a solução para o caso”, afirmou. Bolsonaro disse que irá se reunir com o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, para tratar sobre o assunto.