Cármen Lúcia encaminha à PGR pedido de investigação contra Bolsonaro por suposta fala racista

Presidente utilizou expressão usada para pesagem de gado; representação foi enviada por parlamentares de PSOL e PCdoB

  • Por Jovem Pan
  • 19/05/2022 19h15
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil Ministra no plenário do STF A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante sessão da Corte

A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, enviou à Procuradoria-Geral da União (PGR) nesta quinta-feira, 19, dois pedidos de investigação contra o presidente Jair Bolsonaro (PL) por declarações em que utiliza expressões relacionadas a gados a homens negros. “Tal declaração possui cunho inegavelmente racista, tendo em vista que arroba é uma medida utilizada para pesar animais. Ao utilizar o termo, há um claro intuito de associar a pessoa negra a um animal, explicitando o racismo da conduta”, alega o pedido.

Os pedidos foram protocolados no STF por deputados do PSOL e do PCdoB que alegam racismo nas manifestações do presidente. “Sabe-se que a arroba é uma unidade de medida de peso, equivalente a aproximadamente 15 quilogramas, utilizada majoritariamente a animais destinados ao consumo humano, o que revela a visão animalizada que Jair Messias Bolsonaro tem da população negra e que, na qualidade de Presidente da República, a propaga”, acusa os parlamentares.

No dia 12 de maio, Bolsonaro questionou um apoiador negro que encontrava-se no cercadinho do Palácio do Alvorada se ele pesava “mais que sete arrobas”. O bolsonarista era o vereador Serjão Oliveira (PTB), presidente da Câmara Municipal de Holambra. Em seguida, o presidente lembrou que já foi denunciado anteriormente por utilizar a mesma expressão no passado. “Sabia que já eu fui processado por isso? Chamei um cara de oito arrobas”, disse. Na ocasião, a PGR denunciou Bolsonaro por repetir a expressão numa palestra, em 2017, no Clube Hebraica do Rio de Janeiro.