CPI da Covid-19 aposta em unidade do G7 para aprovação do relatório final

Apesar das divergências que vieram à tona em alguns momentos dos quase seis meses de investigação, cúpula da comissão avalia que divisão em votação do parecer de Renan Calheiros (MDB-AL) seria ‘inaceitável’

  • Por André Siqueira
  • 25/10/2021 11h39
Edilson Rodrigues/Agência SenadoAto final: Relatório do senador Renan Calheiros será votado nesta terça-feira, 26

No ato final da CPI da Covid-19, os senadores votarão, nesta terça-feira, 26, o relatório final do senador Renan Calheiros (MDB-AL) – o texto pede o indiciamento do presidente Jair Bolsonaro por nove crimes, entre eles o de prevaricação, epidemia com resultado morte e crime de responsabilidade. O G7, formado pelos sete senadores independentes e de oposição, ainda vai se reunir na noite desta segunda-feira, 25, para acertar os últimos detalhes e bater o martelo em relação a novos pedidos de indiciamento, mas os parlamentares apostam na unidade do grupo majoritário para aprovar o parecer do emedebista por 7 votos a 4. O bloco atuou de forma unida na maior parte dos quase seis meses de investigação, mas a coesão foi colocada à prova em algumas ocasiões. Apesar das divergências, a cúpula do colegiado avalia que uma eventual divisão na hora da votação é “inaceitável”.

O G7 é formado pelos senadores Omar Aziz (PSD-AM), Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Renan Calheiros (MDB-AL), Humberto Costa (PT-PE), Otto Alencar (PSD-BA), Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Eduardo Braga (MDB-AM). Além do grupo de WhatsApp chamado de “Filhos de Otto e do Tasso”, eles se reuniam semanalmente na casa de Aziz para acertar convocações, definir os passos do colegiado e aparar arestas que surgiam no decorrer dos trabalhos. O estresse mais evidente ocorreu na última semana, em razão do vazamento do relatório de Calheiros e da possibilidade da comissão pedir o indiciamento de Bolsonaro por genocídio contra indígenas – esta imputação foi retirada da última versão do parecer.

Em junho, porém, houve um bate-boca público entre Omar Aziz e Eduardo Braga. A crise foi causada pelo depoimento do deputado estadual Fausto Júnior (MDB-AM), relator da CPI da Saúde na Assembleia Legislativa do Amazonas. O parlamentar foi duramente criticado por não indiciar o governador do Estado, Wilson Lima (PSC), pelo envolvimento no colapso do sistema hospitalar em janeiro deste ano, quando a falta de oxigênio levou pacientes internados à morte por asfixia. A briga entre Omar Aziz e Eduardo Braga ocorreu porque o presidente da CPI do Senado defendeu a aprovação de requerimentos que poderiam expor aliados locais de Braga. “Esta comissão não é uma questão de disputa regional. (…) Vossa Excelência quer trazer para essa discussão a disputa de 2022 para o estado do Amazonas. Não faça isso, senador”, disse o líder do MDB na Casa. No dia 8 de julho, em uma live em suas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro chegou a dizer que o G7 tinha se transformado em G6. A convocação do ministro da Defesa, Walter Braga Netto, também dividiu o grupo. Os senadores Eduardo Braga, Otto Alencar e Tasso Jereissati eram contrários à oitiva do general do Exército. Randolfe Rodrigues, Humberto Costa e Renan Calheiros, além do senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), suplente da CPI e autor do requerimento, eram favoráveis. Como Vieira não tem poder de voto, caberia a Omar Aziz desempatar a votação.