CPI da Covid-19: Wajngarten diz que governo demorou dois meses para responder carta da Pfizer

No documento obtido pela Jovem Pan, empresa farmacêutica oferece ao Ministério da Saúde a compra de lote com milhões de vacinas contra o coronavírus

  • Por Giullia Chechia Mazza
  • 12/05/2021 18h10 - Atualizado em 12/05/2021 20h42
Alan Santos/PR'A carta foi enviada em 12 de setembro do último ano. O dono do veículo de comunicação me avisou em 9 de novembro que a carta não havia sido respondida', disse o ex-secretário à CPI da Covid-19

Em depoimento à CPI da Covid-19 nesta quarta-feira, 12, o ex-secretário de Comunicação da Presidência, Fabio Wajngarten, afirmou que uma carta enviada pela Pfizer ao governo federal ficou sem resposta por dois meses. A carta foi entregue por Wajngarten à CPI durante seu depoimento à comissão. No documento que a Jovem Pan teve acesso, a empresa farmacêutica ofertou ao Ministério da Saúde a possibilidade de compra de um lote com milhões de doses da vacina contra a Covid-19. “A carta foi enviada em 12 de setembro do último ano. O dono do veículo de comunicação me avisou em 9 de novembro que a carta não havia sido respondida. Nesse momento, eu mandei um e-mail ao presidente da Pfizer. Respondi essa carta no dia em que eu recebi, 15 minutos depois”, disse Wajngarten à CPI.

Mesmo não estando entre os destinatários originais da carta, o ex-secretário reforçou que buscou manter contato com a Pfizer ao saber da oferta. “A potencial vacina da Pfizer e da BioNTech é uma opção muito promissora para ajudar seu governo a mitigar esta pandemia. Quero fazer todos os esforços possíveis para garantir que doses de nossa futura vacina sejam reservadas para a população brasileira, porém celeridade é crucial devido à alta demanda de outros países e ao número limitado de doses em 2020”, registrou a farmacêutica na carta endereçada ao presidente Jair Bolsonaro, ao vice-presidente Hamilton Mourão, ao ex-ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto, ao ex-titular da Saúde, Eduardo Pazuello, ao ministro da Economia, Paulo Guedes e ao embaixador do Brasil para os Estados Unidos, Nestor Forster.

“Minha equipe no Brasil se reuniu com representantes de seus Ministérios da Saúde e Economia, bem como com a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos. Apresentamos uma proposta ao Ministério da Saúde do Brasil para fornecer nossa potencial vacina que poderia proteger milhões de brasileiros, mas até o momento não recebemos uma resposta. Sabendo que o tempo é essencial, minha equipe está interessada em acelerar as discussões sobre uma possível aquisição e pronta para se reunir com Vossa Excelência ou representantes do governo brasileiro o mais rápido possível”, continua a carta assinada por Albert Bourla, diretor executivo da Pfizer.