Defesa de Lula diz que não usará mensagens vazadas para provar parcialidade de Moro

Segundo os advogados, as provas obtidas anteriormente já são suficientes para a suspeição do ex-juiz; STF rejeitou na terça-feira o pedido de procuradores contra acesso do ex-presidente ao material

  • Por Jovem Pan
  • 10/02/2021 12h28 - Atualizado em 10/02/2021 14h24
DANILO M YOSHIOKA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDOEx-presidente Lula foi condenado pelo ex-juiz Sérgio Moro no caso do triplex

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira, 10, que não utilizará as mensagens vazadas entre Sergio Moro e procuradores da Lava Jato para provar a parcialidade do ex-juiz. Na terça-feira, 9, a maioria dos ministros da Segunda Turma do STF votou pela rejeição de um recurso de procuradores da Lava Jato, no Paraná, contra o acesso do ex-presidente aos dados da Operação Spoofing, que mostra a troca de mensagens entre os integrantes da operação e o ex-juiz. Com o acesso ao material, os advogados de Lula podem utilizar as mensagens para anular os processos nos quais o ex-presidente está envolvido, como as condenações do caso triplex do Guarujá e do sítio em Atibaia. A defesa, porém, decidiu não usar as peças no Habeas Corpus e no pedido de suspeição do ex-juiz Sergio Moro. Segundo os advogados, as provas obtidas anteriormente já são suficientes.

A Operação Spooting foi deflagrada em julho de 2019 com a prisão de hackers suspeitos de invadir os celulares de autoridades da Lava Jato. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski concedeu, em dezembro do ano passado, uma decisão individual que permitiu à defesa de Lula ter acesso às mensagens vazadas. Nesta terça-feira, a Corte analisou e rejeitou o recurso contra o compartilhamento das mensagens vazadas. No mesmo dia, durante um evento, o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública acusou o STF de ter causado retrocesso no combate à corrupção no Brasil, ao mudar o entendimento sobre a prisão de condenados na segunda instância. A mudança permitiu que o ex-presidente Lula fosse solto, em novembro de 2019. O Supremo pode julgar a suspeição de Moro ainda no primeiro semestre, mas a data não foi definida.