Para fazer frente à polarização, Tebet precisará ‘roubar votos’ de Bolsonaro, aponta especialista

Cientista política ouvida pela Jovem Pan avalia que, pelo espectro político da senadora, ela não tem capacidade de conquistar o eleitorado de Lula, identificado com pautas progressistas

  • Por Jovem Pan
  • 21/05/2022 19h00
SUAMY BEYDOUN/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO - 06/05/2022 Em agenda de pré-campanha em São Paulo, a Senadora Simone Tebet, pré-candidata a Presidência da Republica, encontra-se com o ex-presidente Michel Temer no Espaço Helbor, bairro do Itaim Bibi Terceira via aposta em Simone Tebet (MDB) como cabeça de chapa

Apesar do PSDB, MDB e Cidadania defenderem que a senadora Simone Tebet (MDB) deve ser a pré-candidata da terceira via por ser pouco conhecida pelo eleitorado e ter mais chance de crescer que o ex-governador João Doria (PSDB), a cientista política Lara Mesquita, pesquisadora da FGV, aponta que não há espaço na disputa pela Presidência da República, considerando as últimas pesquisas de opinião, que mostram o ex-presidente Lula (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL) concentrando quase 80% dos votos. Para a especialista, a melhor alternativa para a parlamentar é tentar “roubar” votos dos líderes. “O que a gente tem visto analisando as pesquisas de opinião é que qualquer candidato que queira crescer precisa roubar votos ou do ex-presidente Lula ou do presidente Bolsonaro”, disse em entrevista à Jovem Pan.

A cientista política, porém, avalia que, pelo espectro político da senadora, Tebet não tem capacidade de conquistar o eleitorado de Lula, ou seja, aquele identificado com as bandeiras de esquerda, restando à terceira via apostar em uma campanha à direita. “A Simone Tebet não me parece uma candidatura com potencial de retirar votos do ex-presidente Lula. Se esse grupo se assumir como uma candidatura de direita, pode ser que ela consiga roubar alguns votos do presidente Bolsonaro, mas, pelas análises das pesquisas que tem saído, parece que o espaço para isso acontecer é bem pequeno”, completa a pesquisadora da FGV.