Escolha de Bolsonaro para a liderança no Senado cria mal-estar no PSD; entenda

Presidente escolheu o senador Alexandre Silveira (PSD-MG) para o posto que era ocupado por Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE)

  • Por André Siqueira
  • 02/02/2022 13h49
Marcos Corrêa/PR Jair Bolsonaro sem máscara ao lado de Rodrigo Pacheco, que usa o item Alexandre Silveira é aliado do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, pré-candidato do PSD à Presidência da República

Ao escolher Alexandre Silveira (PSD-MG) para suceder o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) no cargo de líder do governo no Senado, o presidente Jair Bolsonaro criou um mal-estar dentro do PSD. A segunda maior bancada da Casa irá se reunir na terça-feira, 8, para ouvir a posição de Silveira. O encontro foi marcado pelo senador Nelsinho Trad (PSD-MT), líder da legenda, e deverá contar com a presença do presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab. O parlamentar de Minas Gerais assume a cadeira que era ocupada pelo senador Antonio Anastasia (PSD-MG), novo ministro do Tribunal de Contas da União (TCU).

Integrantes da bancada do PSD ouvidos pela Jovem Pan disseram que o eventual aceite de Alexandre Silveira causará uma saia-justa para o partido. Caciques do partido afirmam que é “inconcebível” que a sigla, que se diz independente em relação ao Palácio do Planalto, ocupe a liderança do governo Bolsonaro no Senado. Além disso, os parlamentares contrários à ideia defendem que o convite seja rejeitado em respeito ao presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ainda colocado como pré-candidato à Presidência da República. Com 1% das intenções de voto, o mineiro ainda não decolou nas pesquisas de intenção de voto, mas a postulação é defendida por Kassab, que descarta apoiar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com quem tem boa relação, no primeiro turno do pleito presidencial.

“Temos uma reunião da bancada no dia 8 de fevereiro, quando o Silveira vai falar o sentimento dele. Existe uma corrente dentro do partido contrária ao PSD colocar o seu DNA dentro do governo, mas parte da bancada vê com simpatia. Eu defendo a independência do partido. Com a candidatura de Pacheco ainda colocada, ao meu ver, não ficaria bem o Silveira aceitar, porque ele foi braço-direito de Pacheco dentro do Senado. E mais: teríamos o secretário-geral do PSD assumindo a liderança [do governo Bolsonaro]”, disse à Jovem Pan o senador Angelo Coronel (PSD-BA).

Apesar do mal-estar, senadores do PSD concordam que a escolha de Bolsonaro foi inteligente do ponto de vista político. Caso Alexandre Silveira aceite o convite, o presidente da República terá na liderança de seu governo um parlamentar da segunda maior bancada de uma Casa em que o Palácio do Planalto busca azeitar a relação – no último ano, em especial, o chefe do Executivo federal sofreu algumas derrotas no Senado. Além disso, lideranças governistas apostam na interlocução de Silveira com Pacheco para destravar pautas caras à gestão no Parlamento.