Gilmar Mendes rebate voto de Nunes Marques a favor de Moro: ‘A desmoralização da Justiça já está feita’

Após o indicado de Jair Bolsonaro para o STF considerar que o ex-juiz não foi parcial no julgamento de Lula, Mendes pediu a palavra e foi enfático: ‘Não há salvação para o juiz covarde’

  • Por Jovem Pan
  • 23/03/2021 17h04 - Atualizado em 23/03/2021 17h21
Rosinei Coutinho/SCO/STF Gilmar Mendes foi duro nas críticas contra o voto de Nunes Marques

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), rebateu o voto de seu colega de Corte, Nunes Marques, sobre a suspeição do ex-juiz Sergio Moro por suas atitudes no caso envolvendo o ex-presidente Lula e o tríplex na cidade do Guarujá, no litoral de São Paulo. O posicionamento de Marques, que foi contrário à suspeição do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública do governo de Jair Bolsonaro (sem partido), foi alvo de diversas críticas de Mendes, que disse que a “desmoralização da Justiça” já estava feita, independentemente do resultado do julgamento. “A desmoralização da Justiça já ocorreu. O tribunal de Curitiba é conhecido mundialmente, hoje, como tribunal de exceção. Enche-nos de vergonha. Algum dos senhores aqui compraria um carro do Moro, um carro do Dallagnol? São pessoas tidas como probas? Não importa o resultado desse julgamento. A desmoralização da Justiça já está feita”, afirmou Gilmar. O jurista nascido no Mato Grosso ainda citou Rui Barbosa (1849-1923) para alfinetar Moro. “Atrás da técnica de não conhecimento de habeas corpus se esconde um covarde. E Rui falava: ‘O bom ladrão salvou-se, mas não há salvação para o juiz covarde'”.

Ao negar o recurso apresentado pelo petista, Nunes Marques alegou que as mensagens citadas pela defesa de Lula foram obtidas de forma ilegal, afirmando que “todo magistrado tem a obrigação de ser garantista”. A declaração também foi rebatida por Gilmar: “Isto, ministro Kássio, nada tem a ver com garantismo. Isto é uma indecência”. Até o momento, além de Gilmar, o ministro Ricardo Lewandowski também votou contra o ex-juiz, enquanto que, além de Nunes Marques, Edson Fachin e Carmén Lúcia votaram contra o recurso no início do julgamento, em dezembro de 2018. Entretanto, os dois últimos anunciaram que farão uma nova manifestação de voto e existe a possibilidade de que a magistrada mude de posicionamento.