Janja desiste de desfilar na Sapucaí e evita desgaste com a base no governo

Avaliação é que a presença da primeira-dama no desfile em homenagem a Lula aumentaria as críticas da oposição; busca de Janja por protagonismo incomoda

  • 15/02/2026 23h37 - Atualizado em 15/02/2026 23h40
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Ricardo Stuckert/PR Lula e Janja 12.06.2025 - Cerimônia de Apresentação dos Avanços do Novo Acordo Rio Doce em Minas Gerais 12.06.2025 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Cerimônia de Apresentação dos Avanços do Novo Acordo Rio Doce em Minas Gerais. Na foto: Lula recebe uma rosa de sua esposa Janja Praça da Sé - Mariana-MG.

A confirmação da participação da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, como destaque no desfile da Acadêmicos de Niterói pelo Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro causava descontentamento em aliados do presidente Lula (PT).

A primeira-dama, no entanto, desistiu poucas horas antes do desfila. Ela foi substituída por Fafá de Belém, ícone da música popular brasileira.

Líderes e congressistas ouvidos pela reportagem dizem que a participação de Janja no desfile aumentaria ainda mais o desgaste que o governo tem sofrido por conta da homenagem.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou, por unanimidade, um pedido do Partido Novo que pretendia barrar o desfile da Acadêmicos de Niterói, acusando Lula, o PT e a agremiação de propaganda eleitoral antecipada e abuso de poder. O TRF-2 também negou o pedido para proibir desfile.

Por conta da polêmica, o Palácio do Planalto orientou os ministros a não participarem do desfile, pois isso poderia caracterizar desvio de finalidade para promover Lula e outras autoridades, além de configurar suposta campanha eleitoral antecipada, segundo a assessoria jurídica do governo.

Janja, no entanto, havia sido liberada, já que não tem cargo público oficial. Mesmo sem entraves jurídicos, a reportagem apurou que a atitude da primeira-dama causou desconforto na base do governo.

A avaliação de líderes petistas e de partidos aliados ouvidos pela reportagem é que Janja tenta tomar o protagonismo em todas as oportunidades. “Gosta de aparecer”, disse um deputado, em condição de anonimato. A desistência, portanto, ajuda a baixar a temperatura.

Essa não é a primeira vez que a mulher de Lula causa desconforto entre aliados do petista. Dois episódios em particular incomodaram mais: durante as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024, quando Janja gerou constrangimento ao mobilizar forças de segurança para resgatar um cavalo preso em um telhado; e quando a primeira-dama desmentiu sobre a chamada “taxa das blusinhas” em seus perfis nas redes sociais.

A avaliação é também que Janja se tornou “alvo fácil” da oposição por falas impensadas (como o xingamento ao presidente dos EUA, Donald Trump) e pelo estilo de vida luxuoso, que inspirou a oposição a criar o “Janjômetro”.

O racha entre Janja e parte dos aliados do governo não é novidade, mas o entorno de Lula já percebeu que as decisões da primeira-dama são intocáveis. Janja é uma das responsáveis pela agenda de Lula e já foi pivô do afastamento do marido de aliados importante. Por isso, os ministros mais próximos ao presidente evitam falar sobre a atuação da primeira-dama.

Enredo em homenagem a Lula

Estreante no Grupo Especial, a Acadêmicos de Niterói levou à Avenida o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, que retratou a infância do presidente em Pernambuco e sua trajetória até o Planalto. A escola foi fundada há quatro anos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou à Marquês de Sapucaí pouco depois de 20h20 deste domingo (15) para assistir ao desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, com enredo em sua homenagem. O petista acompanha o desfile no camarote da Prefeitura do Rio de Janeiro, ao lado do prefeito carioca, Eduardo Paes (PSD), de ministros do governo e autoridades.

Sob alerta de possíveis acusações de propaganda eleitoral irregular, o Palácio do Planalto vetou a participação de ministros no desfile em homenagem a Lula, bem como o uso de verba pública para comparecer à festa na Sapucaí. Apenas a primeira-dama, Janja da Silva, foi liberada para participar, por não exercer cargo público.

Estavam com Lula no camarote da prefeitura:

  • Anielle Franco (Igualdade Racial);
    Alexandre Padilha (Saúde);
  • Alexandre Silveira (Minas e Energia);
  • Camilo Santana (Educação);
  • Esther Dweck (Gestão e Inovação);
  • Frederico Siqueira (Comunicações);
  • Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais);
  • Macaé Evaristo (Direitos Humanos);
  • Márcia Lopes (Mulheres);
  • presidente da Petrobras, Magda Chambriard;
  • presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), Aloizio Mercadante;
  • vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB);
  • deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ);
  • deputado federal Pedro Uczai (PT-SC);
  • deputado federal Pastor Henrique Vieira (Psol-RJ);
  • deputada federal Talíria Petrone (PSol-RJ);
  • deputado federal Tarcísio Motta (PSol-RJ);
  • secretário-executivo do Ministério da Cultura, Márcio Tavares;
  • José Dirceu, ex-ministro;
  • Lu Alckmin, segunda-dama;.
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