Lula faz aceno às Forças Armadas e diz que não irá tolerar ameaças contra as instituições

Em evento com aliados em Salvador, ex-presidente também afirmou que beneficiários da ‘PEC das Bondades’ devem ‘pegar todo o dinheiro’ e não votar em Bolsonaro nas eleições de outubro

  • Por Jovem Pan
  • 02/07/2022 16h29
MAURO AKIIN NASSOR/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO Políticos acenam para o público em ato Lula participou de um ato na Arena Fonte Nova, em Salvador, neste sábado, 2

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, neste sábado, 2, que não irá tolerar ameaças contra as instituições democráticas. Em um discurso a apoiadores na Arena Fonte Nova, em Salvador, onde cumpre agenda no dia de comemoração da Independência da Bahia, o petista também fez um aceno às Forças Armadas, disse que os militares devem estar comprometidos com a democracia e cumprir o que está previsto na Constituição. “O Brasil independente e soberano que queremos não pode abrir mão de suas Forças Armadas. Não apenas bem equipadas e bem treinadas, mas sobretudo as Forças Armadas comprometidas com a democracia”, disse Lula. “Tenho certeza que as Forças Armadas estarão ao lado do povo brasileiro na nossa luta por uma nova independência, como estiveram em momentos importantes da nossa história”, acrescentou.

“É preciso superar o autoritarismo e as ameaças antidemocráticas. Não toleraremos qualquer espécie de ameaça ou tutela sobre as instituições representativas do voto popular”, afirmou em outro momento de seu discurso de quase 30 minutos. O ex-presidente estava acompanhado do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSB), indicado para o posto de vice em sua chapa, do senador Otto Alencar (PSD-BA), do governador da Bahia, Rui Costa (PT), do ex-secretário de Educação do governo do Estado Jerônimo Rodrigues, candidato do PT ao governo baiano, e Geraldo Júnior (MDB), indicado ao posto de vice na chapa de Rodrigues.

‘PEC das Bondades’ 

Lula também fez comentários sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) aprovada nesta semana pelo Senado que cria e amplia uma série de benefícios sociais, entre eles o “Pix Caminhoneiro” de mil reais mensais e o aumento de R$ 400 para R$ 600 do Auxílio Brasil, até o final de dezembro deste ano. Na avaliação do ex-presidente, os beneficiários da chamada “PEC das Bondades” deveriam “pegar todo o dinheiro” e não votar em Bolsonaro nas eleições de outubro – os dois polarizam a disputa pela Presidência da República. “Eu queria dizer para ele [Bolsonaro] o que o povo baiano está dizendo para ele: ‘Bolsonaro, aprove as suas leis, porque a gente vai pegar todo o dinheiro que você mandar, mas a gente não vai votar em você. A gente vai votar em outras pessoas’. Porque o dinheiro que ele está dando agora é só até dezembro”, afirmou o ex-presidente. Pesquisa Datafolha divulgada no final do mês maio apontou que 59% dos beneficiários do Auxílio Brasil, que substituiu o Bolsa Família, prefere Lula. Entre os eleitores que recebem o benefício, 20% votam no atual mandatário do país.