Lula muda tom, chama PCC e CV de ‘terroristas’, mas critica decisão dos EUA
Presidente brasileiro cobrou respeito à soberania e disse que ‘não aceitamos ser tratados como moleques’
O presidente Luiz inácio Lula da Silva (PT) reagiu nesta sexta-feira (29) a decisão dos Estados Unidos de classificar os Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. O mandatário, que disse estar “muito triste” com a decisão, cobrou respeito à soberania brasileira. “Não aceitamos ser tratados como moleques. Não aceitamos ser tratados como se fôssemos uma republiqueta. Isso aqui [o Brasil] não é um país qualquer. É um país muito grande”, afirmou.
“Comando Vermelho e PCC são terroristas, mas para as comunidades brasileiras. Para a sociedade brasileira e para o povo da periferia, porque incomodam famílias, bairros e cidades. São terroristas e vamos combatê-los aqui dentro. [Para isso,] aprovamos uma lei antifacção e a lei de combate ao crime organizado”, argumentou em Lula, em Sergipe, onde visitou a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Sergipe (Fafen-SE) no município de Laranjeiras.
Mais cedo, o governo brasileiro havia emitido uma nota sobre a posição dos Estados Unidos às facções brasileiras e fez ataques à família Bolsonaro. “É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país”, diz o governo. O texto chama os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro de “falsos patriotas” que tentariam manipular politicamente conceitos de segurança pública.
PCC e CV na mira
Na quinta-feira (28), os Estados Unidos emitiram uma nota informando que vão classificar o PCC e o CV como organizações terroristas. Segundo o governo americano, os grupos serão designados como “terroristas globais especialmente designados” (“Specially Designated Global Terrorists” na tradução, ou SDGTs) e também como “organizações terroristas estrangeiras” (“Foreign Terrorist Organizations”, ou FTOs).
os EUA afirmam que o CV e o PCC são duas das organizações criminosas “mais violentas do Brasil”. “Juntas, comandam milhares de membros e orquestraram ataques brutais contra policiais, funcionários públicos e civis brasileiros. Sua influência e redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil, por toda a nossa região e por todo o país”, declararam.
Encontro de Flávio e Trump

Flávio Bolsonaro, Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro com o presidente dos EUA, Donald Trump │Foto: Reprodução/Instagram/@bolsonarosp
A decisão dos Estados Unidos veio dois dias depois que o pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro, se encontrou com o presidente dos EUA, Donald Trump, e pediu para que ele classificasse PCC e CV como organizações terroristas.
“[As facções] controlam territórios inteiros no Brasil pela força, submetem populações ao seu próprio código, lei e Justiça paralela. Executam quem ousa resistir. Corrompem agentes públicos, infiltram instituições, intimidam testemunhas e ordenam atentados de dentro dos presídios. Operam em dezenas de países com tentáculos que afetam diretamente os Estados Unidos e o resto do hemisfério. Quem faz isso não é gangue, é organização terrorista”, afirmou Flávio.
Um dia antes do anúncio, Flávio tinha se encontrado com Marco Rubio, Secretário Estado dos Estados Unidos.
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