Maia diz que Guedes está ‘desequilibrado’ após ministro acusá-lo de travar privatizações

Nesta terça-feira, o presidente da Câmara já havia provocado Guedes a respeito da reforma tributária

  • Por Jovem Pan
  • 30/09/2020 20h54
ReproduçãoMaia e Guedes estão publicamente rompidos desde o início de setembro

Nesta quarta-feira, 30, o ministro da Economia, Paulo Guedes, acusou o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, de fazer um acordo com a esquerda para não pautar privatizações. “Não há razão para parar as privatizações. Há boatos de que haveria acordo entre o presidente da Câmara e a esquerda para não pautar as privatizações. Precisamos retomar as privatizações, temos que seguir com as reformas e temos que pautar toda essa transformação que queremos fazer. A retomada do crescimento vem pela aceleração de investimentos em cabotagem, infraestrutura, logística, setor elétrico, das privatizações, Eletrobrás, Correios… Estamos esperando”, afirmou Guedes durante live.

Em resposta, Maia disse que o ministro da economia estaria “desequilibrado” e recomendou que “assistisse ao filme ‘A Queda'”, que conta os últimos dias de Adolf Hitler em um abrigo subterrâneo. O embate entre os dois se iniciou ontem, após o governo desistir de enviar a segunda etapa da reforma tributária, que inclui um imposto digital semelhante à CPMF. Maia fez uma publicação em seu perfil no Twitter questionando a atitude do ministro da Economia: “Por que Paulo Guedes interditou o debate da reforma tributária?”.

Os dois estão publicamente rompidos desde o início de setembro, quando Maia acusou Guedes de ter proibido os secretários da equipe econômica de se encontrarem com o deputado. Atualmente, a articulação em torno da pauta econômica fica a cargo dos líderes governistas no Congresso, além do ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos. A primeira etapa da reforma tributária, que consiste em uma unificação de tributos, está sendo discutida no parlamento, mas as fases posteriores ainda não avançaram. Uma das travas gira em torno da ideia de se criar um imposto análogo à antiga CPMF, sobre transações financeiras, que segue enfrentando resistências. O próprio líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (Progressistas) já reconheceu que ainda não há acordo sobre a segunda fase da reforma.